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segunda-feira, 15 de junho de 2015

Linda Darnell, A Princesa da América






Foram 12 anos de brilho intenso no Cinema. Impossível não se apaixonar pelo rosto angelical e de proporções perfeitas, que deram a Linda Darnell a oportunidade de ser protagonista ainda adolescente, ao lado de seu grande ídolo Tyrone Power. Quem a via glamourosa e bela em DAY-TIME WIFE (1939) jamais poderia imaginar que a mulher era na verdade uma menina de apenas 15 anos. De Monetta Darnell, seu nome passou a chamar Linda, uma referência à beleza de características latinas. Seu debut nas telas teria acontecido um ano antes, se não fosse pela negativa imposta por Darryl Zanuck alegando que a moça era jovem demais. A garota voltou para sua terra e para a escola, mas sem desistir de seu sonho.

No início dos anos 40 o lindo rosto de Linda estampava as capas das principais revistas de cinema, impulsionado pelo sucesso de DAY-TIME WIFE. Ao lado de Tyrone Power teve quatro parcerias, dentre elas um de seus melhores trabalhos: a segunda versão de BLOOD AND SAND (SANGUE E AREIA), um marco também na carreira de Rita Hayworth, como Doña Sol. O papel de Linda era Carmen, a esposa fiel e amorosa do toureiro vivido por Power.  Com este filme Hollywood criou uma figura quase santa para a jovem atriz. O público passou a adorá-la e então Darnell se tornou uma espécie de princesa americana, com um inegável carisma. A menina que, como em um conto de fadas conseguiu realizar seu sonho de se tornar uma estrela de cinema. Aos 16 anos sua popularidade e sucesso a levaram a deixar seus pés e mãos marcados na mítica calçada da fama, ao lado de nomes lendários como Mary Pickford.

Tudo na vida de Linda foi precoce. Modelo aos 11 anos, estrela de Hollywood aos 15 e um casamento com um homem muito mais velho, J. Marley, com quem adotou uma criança. Se o público já havia se chocado com seu matrimônio, na carreira haveria também mudanças drásticas. A imagem virginal que conquistara em A MARCA DO ZORRO (1940) e A CANÇÃO DE BERNADETTE (1943, como a Virgem Maria) seria totalmente modificada em filmes como SUMMER STORM (1944) e FALLEN ANGEL (1945, ao lado de Dana Andrews e uma das maiores estrelas da Fox na época: Alice Faye). Agora os personagens eram de mulheres fatais, o que não agradou a atriz, que logo passou a exigir papéis melhores. Em SUMMER STORM sua foto no cartaz lembra muito Jane Russell em THE OUTLAW (O PROSCRITO), filme lançado no ano anterior: as duas aparecem deitadas no meio do feno, com figurino revelador e praticamente idêntico. Mesmo olhar sedutor com cabelos fartos e soltos.

Em MY DARLING CLEMENTINE, dirigido por John Ford.


Se olharmos a carreira de Linda Darnell veremos o leque de personagens que ela interpretou. Uma santa, uma índia, esposa dedicada, mulheres que levam homens a matar por amor, passando por belos momentos cômicos. Exemplos de boas comédias estão nos filmes A LETTER TO THREE WIVES (QUEM É O INFIEL, 1949) e IT HAPPENED TOMORROW(1944), onde faz par com o veterano dos musicais pre-code Dick Powell. Em 1946 caiu nas mãos do gênio John Ford em MY DARLING CLEMENTINE (PAIXÃO DOS FORTES), naquele que é considerado um de seus maiores êxitos: a tempestuosa e abusada prostituta Chihuahua, disposta a conquistar o coração do personagem de Henry Fonda. Estrela absoluta nos anos 40, amargou poucos fracassos, sendo o maior deles a mega produção FOREVER AMBER, em que vive uma cortesã do século XVII, ao lado de Cornel Wilde.

Se a carreira ia muito bem, a vida pessoal nem tanto. Com um casamento quase acabado Linda passou a abusar no consumo de álcool, o que a deixava agressiva e fora de controle. O problema grave foi herdado de sua mãe, Pearl, que sonhava em ser atriz famosa no início do século XX, sem resultado algum. Seus momentos alcoolizada prejudicaram inclusive a relação com sua filha Charlotte, anos mais tarde. O fato é que a mudança de imagem de Linda Darnell agradou por demais seu público, mas o que era para ser a continuação de seu sucesso no fim dos anos 40 acabou se tornando o início de seu fracasso, devido à bebida. Mesmo com o êxito de QUEM É O INFIEL, em 1949, ao lado de Kirk Douglas e Ann Sothern, um rápido declínio se iniciou na década seguinte. 1950 foi o ano em que dividiu a cena com Richard Widmark e o então jovem ator Sidney Poitier em NO WAY OUT (O ÓDIO É CEGO), bela direção de Joseph Mankiewicz sobre o racismo, que rendeu ao elenco ótimas críticas por suas ótimas performances. 

A partir de então inicia uma fase financeira difícil e se divorcia do primeiro marido. Precisando de dinheiro, Linda passou a aceitar todos os tipos de roteiro que apareciam em sua frente. A estrela não tinha mais o privilégio de escolher personagens e histórias interessantes. Fez muitos trabalhos em televisão mas acabou se apaixonando pelos palcos. No teatro o público a abraçou e Darnell interpretou peças importantes como CHÁ E SIMPATIA (TEA AND SIMPATHY). Nos anos 60 as coisas pareciam melhorar para ela mas seus problemas com o álcool continuavam. Um retorno ao cinema a deixou mais animada. Voltou a receber propostas para filmes quando os produtores viram que sua aparência ainda era a de uma bela mulher, além de saberem que era de fato uma boa atriz. Era o ano de 1965. Linda sentiu vontade de passar uns tempos na casa de amigos em Illinois. A casa incendiou no início da manhã. Todos conseguiram escapar menos Linda, que foi encontrada e levada para o Hospital de Chicago, com 90 % de seu corpo queimado. Ela ainda conseguiu sobreviver ao acidente mas faleceu no dia seguinte, devido às queimaduras.

4 comentários:

ANTONIO NAHUD disse...

Texto bacana, Dani. Gosto de Linda. Sua carreira na FOX é bem interessante. Sou fã dela em ENTRE O AMOR E O PECADO e PAIXÃO DOS FORTES. Um fim triste. Li que ela foi a responsável pelo incêndio. Estava bêbada e adormeceu deixando o cigarro aceso cair...

DANIELE MOURA disse...

Pois é, Antonio...uma tragédia...
Que bom que gostou do texto! Aos pouquinhos eu vou recuperando...
Abraço!!

Gilberto Santos disse...

Boa Noite acabei de encontrar seu blog e fiquei impressionado sobre o seu conhecimento sobre o cinema e como cinefilo de carteirinha,te parabenizo pela iniciativa e tambem por deixar como foto de capa a foto da MAIOR atriz da Historia na minha opniao e da qual sou absolutamente suspeito para falar a respeito,pois ela eh a minha maior paixao das telas (tanto que tenho toda a filmografia dela),seguida por Gene Tierney,Linda Darnell,Loretta Young,Jeanne Crain,Jean Peters,Rita Hayworth e por ai a fora...
Mais uma vez PARABENS e espero que voce continue o excelente trabalho divulgado para quem nao conhece,muito mais dessas deusas que fizeram a historia do cinema:-)

DANIELE MOURA disse...

Olá, Gilberto! Fico muito feliz que vc tenha gostado! Continue visitando! Valeu pelo apoio!
Um abraço
Dani.