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sábado, 6 de novembro de 2010

"The Single Standard" (1929)

O som já havia chegado no cinema em 1929, mas Garbo continuava silenciosa. Assim permaneceu quando o drama de John S. Robertson THE SINGLE STANDARD, no Brasil intitulado A MULHER SINGULAR, chegou às telas, em julho. O filme começou a ser produzido no início de abril e desta vez Garbo não pôde contar com a ajuda de um de seus melhores amigos na época, William Daniels, que estava trabalhando na fase sonora de Norma Shearer. Então a fotografia ficou a cargo de Oliver Marsh. O mestre de cenários da MGM de então era Cedric Gibbons, o criador da mansão super moderna onde tem início THE SINGLE STANDARD. Desta vez Garbo era Arden Stuart, a mulher que leva seu choffer para dar um passeio de carro à noite. Ela foge da festa chatíssima que acontece naquela casa e de repente o espectador se encontra diante de uma Garbo apaixonada por seu motorista. Os dois estão em um lugar deserto, deitados, e se beijam. Fico imaginando como as pessoas se comportaram em 1929 quando viram a ousadia: uma jovem mulher cujo lema era “viver como os homens vivem. Com mais liberdade”. Como os filmes de Greta eram marcados pelo forte drama, nunca era dado a ela a oportunidade de ter um amor saudável, então o choffer literalmente morre de amor por ela ao se jogar com o carro na água. Mas esta história me deu um certo alívio. Confesso que fiquei muito feliz quando, depois de tentar o amor de um pintor aventureiro, Arden consegue se casar e então forma uma família. Quando o pintor volta de sua viagem de barco ela teme não resistir aos seus encantos, porém o amor pelo filhinho pequeno fala mais alto e ela o dispensa. Típico final feliz de sociedade hipócrita: a mulher com sua família e nada mais. Embora eu não seja moralista ao extremo, adorei a nossa heroína dos anos 20 abraçada com seu filhinho bonitinho, saudável e junto do marido. Enfim, Garbo conseguia fechar a década com uma verdadeira mulher singular: sem tanto drama, sem mortes no final e nem sacrifícios desnecessários. Um final simples. That’s all!

Fonte: VIEIRA, Mark A. Greta Garbo - A Cinematic Legacy, Harry N. Abrams, incorporated, New York, 2005.

Um agradecimento especial à colega Fabbiana Garbo. Obrigada pela generosidade. Do contrário, este texto não teria sido escrito com tantos detalhes.

6 comentários:

Dilberto L. Rosa disse...

Excelente o seu blogue, minha cara: amo Cinema e, vez por outra, esta arte completa entra na pauta do meu espaço virtual (para onde desde já indico sua visita!)! Confesso que este filme eu desconhecia, vez que não sou dos mais ardorosos fãs de Garbo (prefiro-a na genial comédia de Lubitsch, "Ninotchka" ou no clássico feito sob medida, "Anna Karenina"), mas me aguçou a curiosidade este belo texto (que não entendi se seu, baseado na bibliografia da reclusa atriz, ou se 'ipsis literis' advindo do livro que citas...)! Abração e, mais uma vez, parabéns pelo excelente espaço!

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Dani, vc tem UMA MULHER SINGULAR? Vamos fazer uma troca?
Abração,

www.ofalcaomaltes.blogspot.com

Cinema Clássico disse...

Olá! Sim, eu tenho. Foi uma amiga fã número 0 de garbo que copiou pra mim. Eu posso copiar pra vc. Vc tem The Mating Season, com a Gene Tierney. Essa atriz é a minha paixão!

Cinema Clássico disse...

Olá, Dilberto! Obrigada pelos elogios! O texto é meu sim, de acordo com informações sobre o livro que li. Mas o texto fui eu quem montou. este filme é muito bom, aliás, os filmes mudos de Garbo são muito interessantes. A WOMAN OF AFFAIRS é um outro grande exemplo, mas seu clássico da era muda é FLESH AND THE DEVIL.

Fabbiana Garbo disse...

OLá, amiga!! LIndíssimo post!!!Muito obrigada pela citação! Fiquei super contente!!Parabéns pelo lindo trabalho! Um beijão!!!

Daniele Moura disse...

Fabbiana,
obrigada pelo carinho. Você merece!
Um abraço!