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domingo, 22 de maio de 2011

The Ghost and Mrs. Muir - 1947

O roteiro de Philip Dunne adaptado do original de R. A. Dick se juntou à inesquecível música de Bernard Herrmann e à direção de Joseph Mankiewicz e o resultado é o fascinante The Ghost and Mrs. Muir(O Fantasma Apaixonado). Não se trata de uma receita, mas os nomes geniais, incluindo o magnetismo de Gene Tierney e os figurinos de Oleg Cassini se tornaram ingredientes de um filme que até hoje me inebria quando vejo. Sim, com estes ingredientes, não teve errata. Dick era o pseudônimo de Josephine Leslie, nascida em 1898, que escreveu a história em 1945. The Ghost... só havia sido publicado no Reino Unido quando a Fox comprou os direitos do livro para o cinema.
Além dos nomes, não se pode esquecer de Gull Cottage, a bela casa com visão panorâmica do mar britânico, que sem dúvidas traz à este filme mais magia, mistério e beleza.
O Fantasma Apaixonado coloca à contrário tudo o que uma história de assombração poderia ter. Apesar ser a personagem central uma viúva(Lucy, interpretada por Tierney) que vai morar numa casa à beira mar que pertenceu a um capital que havia morrido há 4 anos e , de fato, este homem ainda achar que a casa o pertence, não assusta. Pontuando que trata-se de um espírito "encostado" ali e que com eles não se brinca. Apesar disso, conseguiram passar para as telas uma suavidade e leveza inacreditáveis. Entre Lucy/Lucia e o Fantasma do capitão Gregg há a amizade e depois o romance, este o mais puro e verdadeiro, pois não existe o lado material. O amor entre os dois se desenvolve sem um tocar no outro e a química entre Tierney e Rex Harrison(Gregg) é genial exatamente por isso: mesmo sem haver contato físico, eles interagem como casal de forma verdadeira, dando um tom idílico e eterno. A qualidade destes dois atores neste filme transcende.
A cada passagem de tempo na vida de Lucy, aparece o mar, belo e vasto, para mostrar que tudo pode passar, mas ele está ali, ora revolto, ora sereno, porém intacto ao tempo e espaço. Nestes trechos, a música de Herrmann se faz presente, acompanhando o mar: se revolto, a música é revolta. Se sereno, a música é serena. E quando é primavera, no romance, ela é feita de sonho. A trilha sonora de B. Herrmann também está ali, junto com o mar, intacta ao tempo e espaço. O próprio compositor declarou uma vez ser esta sua melhor trilha, de todas que compôs. Acho que está certo. Não pode haver em sua carreira uma música composta com mais emoção, sensibilidade e fantasia do que esta. Nos faz viajar junto com os personagens e sua história de uma maneira única. Outro autor não faria melhor.
A bela Lucy e seu sonho de ser livre, bem longe daquelas duas mulheres invejosas e amargas, depois da morte de um marido que ela não amava, mas aprendeu a amar, segundo às regras da sociedade de 1900. Anna(Natalie Wood) crescendo em Gull Cottage, correndo na areia, tendo como amigo um pescador. Mãe e filha tendo como única amiga, a empregada Martha, muito bem vivida por Edna Best.
Este filme belíssimo de todas as formas, delicioso do início ao fim é uma das minhas dicas deste mês. Assistam The Ghost and Mrs Muir. É simplesmente imperdível.

8 comentários:

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Dani, que surpresa! Vc acredita que esse foi um dos filmes que me fizeram passar a gostar realmente de cinema? Vi-o pela primeira vez na tevê ainda menino e jamais o esqueci. Muito belo. Gene, Rex e George Sanders estão excepcionais.
Belo post. Obrigado.

O Falcão Maltês

Jú L. disse...

Adoro esse filme, fiz uma postagem dele já faz tempo. A trilha sonora é impecável e o amor impossível existente entre o fantasma do capitão (Capitão Daniel Gregg e javem e bela viúva Lucy Muir é maravilhoso. Uma das historias de amor mais lindas do cinema... amo!!!
Quando criança assistia muito as reprises da adaptação feita na década de 60 mas não tem o mesmo charme da produção Joseph L. Mankiewicz . Lindinho ver Natalie Wood ainda criança...

disse...

Dani, que coincidência! Vi o filme semana passada e foi uma feliz surpresa vê-lo comentado aqui. É realmente muito bom: romântico, alegre e triste na medida certa! Imperdível para todos os cinéfilos.
Sabia que Muir significa "mar" em gaélico? Isso é uma referência aos marinheiros normalmente não constituirem família, pois seriam apaixonados apenas pelo mar. Muito fofo!
Beijos, Lê

Daniele Moura disse...

Pessoal,
ando sumida daqui e dos outros blogs pois ando trabalhando muito. Mas assim que encontrar um tempinho, volto, ok?
Um abraço
Dani

Darci Fonseca disse...

Oi, Dani
Ainda ontem assisti "O Gaúcho", com Gene. Ela era de fato muito bonita. Conheço pessoas que a consideram a mais linda atriz dos anos 40. Pode não ser a mais, mas está entre as mais lindas. Um abraço do Darci

Daniele Moura disse...

Oi, Darci!
Como vc conseguiu assistir O Gaúcho? Me Conta!!
Bom, eu sou uma dessas pessoas que também a acham a mais linda. Na verdade, pra mim Gene Tierney é a atriz mias linda da história do cinema.
Beijo
Dani

Faroeste disse...

Vou correr atrás para buscar esta fita e vê-la. Tenho certeza de que irei adorar, embora eu tenha visto, com a magnifica Tierney, Amar Foi Minha Ruina, de Sthal, com Cornel Wilde, acho que feito no mesmo ano deste ou um ano antes. Um filme tão belo e com um cenário muito semelhante a este, com uma casa à beira mar.
jurandir_lima@bol.com.br

Daniele Moura disse...

Jurandir, este filme está há algum tempo disponível em dvd pela Fox Classics. E o preço é muito bom. Vale a pena!
Abç
Dani