A nova-yorkina Ali MacGraw nasceu em 1º de abril de 1939, em Pound Ridge. Sua beleza espetacular e natural não dava trabalho aos maquiadores. Morena por natureza, de cabelos castanhos e olhos negros, o único requisito a ser fortemente maquiado nos anos 70, para ela não era necessário, graças a seus olhar expressivo e marcante, cílios e espessas sobrancelhas negras.
Nascida Elizabeth Alice MacGraw, começou a trabalhar aos 14 anos de idade. Foi garçonete, ganhando um concurso interno de beleza: a mais bela waitress do ano de 1957. Mais tarde, entrou como assistente da lendária fotógrafa Diana Vreeland da revista Harper's Bazaar, Também trabalhou na Vogue como modelo e como Estilista, durante os anos 60. Mas a beleza de Ali era tamanha, com seus 1,73cm de altura, que logo passou para frente das câmeras, tornando-se por várias vezes capa. Trabalhou como decoradora de interiores e em comerciais da câmera Polaroid e Chanel. Aos 20 anos já havia feito um aborto ilegal.
Seu primeiro sucesso no cinema foi em GOODBYE, COLUMBUS (1967), dirigido por Richard Prince, com roteiro de Arnold Schulman. No filme ela dividia cena com Richard Benjamin. A atriz ganhou um Golden Globe no ano seguinte por Best Newcomer Artist. Mas foi com um projeto totalmente novo, que sua carreira deslanchou. O filme se chamava LOVE STORY, lançado em 1970: “Amar é nunca ter que dizer eu sinto muito”.
![]() |
| Modelando, início dos anos 60 |
![]() |
| Garota propaganda da Chanel: 1966 |
“LOVE STORY” – UM CAPÍTULO À PARTE
Filmado em Boston e Nova York, foi um projeto quase cancelado, pois a Paramount não queria filmar, por falta de dinheiro. O diretor Arthur Hiller, que havia recusado O PODEROSO CHEFÃO, correu atrás para que seu amado projeto tivesse a aprovação do estúdio. E teve. Antes de Ryan O’neal ter sido contratado como ator principal, foram mencionados os nomes de Beau Bridges, Michael York(de CABARET) e Christopher Walker. Todos recusaram o papel.
Ray Milland, que faz o pai do personagem de Ryan no filme, abdicou de sua inseparável peruca, pois concluiu que era o melhor a fazer para dar mais credibilidade a seu personagem. Este filme também marcou a estreia cinematográfica do grande ator Tommy Lee Jones.
O diretor resolveu pedir a Ali que ensaiasse por 3 semanas com o objetivo de tocar piano por 12 segundos em uma cena. Ela concordou. Quando começou a ser rodado e a câmera deixou lentamente de focalizar as mãos dela, o público pensaria que seria cortado, porém a câmera continuou subindo e vimos Ali tocando de verdade. Arthur Hiller quis passar para todos que assistissem, através da própria história, que Cavilleri era uma genial pianista, com carreira promissora a ser construída em Paris.
Soberbo quando um realizador pensa desta forma realista e coloca o ator para fazer coisas que jamais fizera antes.
Apesar da equipe ter gostado das cenas e de ter achado LOVE STORY um bom filme, alertaram a Hiller que ainda faltava alguma coisa. O diretor sentou na sala de projeção e, revendo todas as tomadas, chamou-o a atenção logo a cena de abertura: como o filme poderia começar num consultório médico, onde foi dito originalmente: “Sua mulher está morrendo” se o público não a conhecia ainda? Arthur mudou totalmente o início.
Agora, o personagem de Ryan introduzia-se e à sua amada ao público em forma de flashback, contando sua história de amor e aí sim, quando o doutor diz para ele o destino trágico dela, todos já a conhecem, e é claro, toda a história do casal. O francês Francis Lai presenteou Arthur Hiller com o belíssimo LOVE THEME FROM LOVE STORY, que se tornou um ícone das trilhas sonoras do cinema, uma espécie de hino ao amor inabalável, aquele que nem mesmo a morte pode destruir.
Ali MacGraw fala até hoje em entrevistas, que ainda sente o impacto do filme no seu dia - a-dia: aonde quer que ela vá, pessoas a reconhecem por este filme. Sobre a época em que viveu na mira dos fotógrafos e de todas as demais mídias, graças ao sucesso explosivo e meteórico que o filme lhe deu, ela diz que não escapou da surpresa e do susto. Em 1970, a novata atriz não tinha a menor tática para lidar com a imprensa. LOVE STORY transformou seus dois protagonistas em astros mundiais.
![]() |
| Postcard de Goodbye, Columbus, 1969 |
![]() |
| O'neal e MacGraw em Love Story(1970) |
ALI NO TOPO DO ESTRELATO...POR POUCO TEMPO.
A carreira de Ali nunca mais seria a mesma. Em 1972, Sam Peckimpah a escalou para viver Carol Mccoy, esposa de Doc(McQueen) na grande ação/aventura entre bandidos THE GETAWAY. O elenco contava com ótimos atores, como Al Letieri (que também filmaria O PODEROSO CHEFÃO naquele ano), Sally Strutters (do bem-sucedido e polêmico seriado de tv ALL IN THE FAMILY), dentre outros.
O grande filme, com roteiro de Walter Hill, baseado na novela de Jim Thompson, foi um sucesso estrondoso e é considerado um dos grandes filmes do gênero Ação. Quase todo filmado em seqüência, sem cortes, as mãos de Midas de Peckimpah, com tomada atrás de tomada deixa o público pedindo mais e sem aquele pequeno intervalo para beber uma água ou ao menos respirar.
Milimetricamente genial, THE GETAWAY teve duas mudanças a pedido de Steve McQueen: tanto o roteirista original Jim Thompson, que havia trabalhado 4 meses em cima de seu livro na adaptação do filme, escrevendo inclusive cenas alternativas, quanto o compositor Jerry Fielding foram substituídos respectivamente por Walter Hill e Quincy Jones, que criou o belíssimo LOVE THEME FROM THE GETAWAY.
Quanto ao antigo roteirista, McQueen alegou que sua história para FUGA PERIGOSA havia resultado em um filme depressivo.
![]() |
| Duas cenas de THE GETAWAY(1972) |
O COMEÇO DO OCASO DA ESTRELA
Durante as filmagens, McQueen e MacGraw se apaixonaram e se tornaram amantes. Ela imediatamente pediu o divórcio ao então marido Robert Evans, Produtor Executivo da Paramount, casando-se com seu novo amor em 1973, um escândalo na época. Robert tinha grandes planos para a esposa no ano de 1974. Ele havia reservado para ela o papel de Daisy em THE GREAT GATSBY e a protagonista em CHINATOWN. Com seu orgulho ferido, ele então cedeu o papel de Daisy para Mia Farrow e o de CHINATOWN ficou para Faye Dunaway.
Se divorciar de Evans para se casar com McQueen fez com que ela perdesse a oportunidade de estrelar filmes que fazem hoje parte da História do cinema. Já o casamento com Steve não durou muito. Em 1978, eles se separaram. Ela nunca mais se casou. O Ator faleceu em 1980, vítica de câncer no pulmão. Neste mesmo ano de 1978, Ali voltaria à tela grande depois de um hiato de seis anos, no filme CONVOY, ao lado de Khris Kristoffeson, mas sua carreira nunca mais teve a mesma chama de antes.
Recentemente a atriz declarou que só participou da série de tv DINASTIA, nos anos 80, pois precisava muitíssimo de dinheiro. Caso contrário...
Em 1995, Ali publicou sua auto-biografia, intitulada MOVING PICTURES, na qual conta sobre seus terríveis problemas com o álcool e doentia dependência de homens, além de afirmar que seu pai era um homem violento. Ela hoje lembra da época em que freqüentava Malibu com grande nostalgia. Para a beldade dos anos 70, era muito mais fácil ser um artista de Hollywood naquela época, pois ela e seus amigos não eram perseguidos pelos paparazzis como as celebridades de hoje são. Eles saíam normalmente de seus condomínios, as festas na piscina não eram fotografadas de helicóptero, além de ter sinceramente declarado que as celebridades daquela época eram pessoas reais e dignas de admiração. Uma outra Hollywood, que não existe mais.
Ter começado a trabalhar aos 14 anos também a ajudou a ter os pés no chão quando o sucesso no cinema veio. Ela diz que ter começado a atuar aos 30 foi a melhor coisa que lhe aconteceu, pois já estava mais madura e havia experimentado vários empregos de garotas normais adolescentes.
Ali MacGraw tem 72 anos de idade e apesar de tudo de ruim que aconteceu entre ela e Evans, os dois permaneceram bons amigos. Ela vive em três residências: Santa Fé, New México e Los Angeles, Califórnia. Uma de suas casas pegou fogo enquanto ela tentava alugá-la, há pouco tempo atrás.
![]() |
| Em CONVOY(1978) |
![]() |
| Em DINASTIA, anos 80. |






















