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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Ali MacGraw: carreira meteórica, destruída por um romance

A nova-yorkina Ali MacGraw nasceu em 1º de abril de 1939, em Pound Ridge. Sua beleza espetacular e natural não dava trabalho aos maquiadores. Morena por natureza, de cabelos castanhos e olhos negros, o único requisito a ser fortemente maquiado nos anos 70, para ela não era necessário, graças a seus olhar expressivo e marcante, cílios e espessas sobrancelhas negras.
Nascida Elizabeth Alice MacGraw, começou a trabalhar aos 14 anos de idade. Foi garçonete, ganhando um concurso interno de beleza: a mais bela waitress do ano de 1957. Mais tarde, entrou como assistente da lendária fotógrafa Diana Vreeland da revista Harper's Bazaar, Também trabalhou na Vogue como modelo e como Estilista, durante os anos 60. Mas a beleza de Ali era tamanha, com seus 1,73cm de altura, que logo passou para frente das câmeras, tornando-se por várias vezes capa. Trabalhou como decoradora de interiores e em comerciais da câmera Polaroid e Chanel. Aos 20 anos já havia feito um aborto ilegal.
Seu primeiro sucesso no cinema foi em GOODBYE, COLUMBUS (1967), dirigido por Richard Prince, com roteiro de Arnold Schulman. No filme ela dividia cena com Richard Benjamin. A atriz ganhou um Golden Globe no ano seguinte por Best Newcomer Artist. Mas foi com um projeto totalmente novo, que sua carreira deslanchou. O filme se chamava LOVE STORY, lançado em 1970: “Amar é nunca ter que dizer eu sinto muito”.
Modelando, início dos anos 60

Garota propaganda da Chanel: 1966

“LOVE STORY” – UM CAPÍTULO À PARTE

Filmado em Boston e Nova York, foi um projeto quase cancelado, pois a Paramount não queria filmar, por falta de dinheiro. O diretor Arthur Hiller, que havia recusado O PODEROSO CHEFÃO, correu atrás para que seu amado projeto tivesse a aprovação do estúdio. E teve. Antes de Ryan O’neal ter sido contratado como ator principal, foram mencionados os nomes de Beau Bridges, Michael York(de CABARET) e Christopher Walker. Todos recusaram o papel.
Ray Milland, que faz o pai do personagem de Ryan no filme, abdicou de sua inseparável peruca, pois concluiu que era o melhor a fazer para dar mais credibilidade a seu personagem. Este filme também marcou a estreia cinematográfica do grande ator Tommy Lee Jones.
O diretor resolveu pedir a Ali que ensaiasse por 3 semanas com o objetivo de tocar piano por 12 segundos em uma cena. Ela concordou. Quando começou a ser rodado e a câmera deixou lentamente de focalizar as mãos dela, o público pensaria que seria cortado, porém a câmera continuou subindo e vimos Ali tocando de verdade. Arthur Hiller quis passar para todos que assistissem, através da própria história, que Cavilleri era uma genial pianista, com carreira promissora a ser construída em Paris.
Soberbo quando um realizador pensa desta forma realista e coloca o ator para fazer coisas que jamais fizera antes.
Apesar da equipe ter gostado das cenas e de ter achado LOVE STORY um bom filme, alertaram a Hiller que ainda faltava alguma coisa. O diretor sentou na sala de projeção e, revendo todas as tomadas, chamou-o a atenção logo a cena de abertura: como o filme poderia começar num consultório médico, onde foi dito originalmente: “Sua mulher está morrendo” se o público não a conhecia ainda? Arthur mudou totalmente o início.
Agora, o personagem de Ryan introduzia-se e à sua amada ao público em forma de flashback, contando sua história de amor e aí sim, quando o doutor diz para ele o destino trágico dela, todos já a conhecem, e é claro, toda a história do casal. O francês Francis Lai presenteou Arthur Hiller com o belíssimo LOVE THEME FROM LOVE STORY, que se tornou um ícone das trilhas sonoras do cinema, uma espécie de hino ao amor inabalável, aquele que nem mesmo a morte pode destruir.
Ali MacGraw fala até hoje em entrevistas, que ainda sente o impacto do filme no seu dia - a-dia: aonde quer que ela vá, pessoas a reconhecem por este filme. Sobre a época em que viveu na mira dos fotógrafos e de todas as demais mídias, graças ao sucesso explosivo e meteórico que o filme lhe deu, ela diz que não escapou da surpresa e do susto. Em 1970, a novata atriz não tinha a menor tática para lidar com a imprensa. LOVE STORY transformou seus dois protagonistas em astros mundiais.
Postcard de Goodbye, Columbus, 1969

O'neal e MacGraw em Love Story(1970)

ALI NO TOPO DO ESTRELATO...POR POUCO TEMPO.

A carreira de Ali nunca mais seria a mesma. Em 1972, Sam Peckimpah a escalou para viver Carol Mccoy, esposa de Doc(McQueen) na grande ação/aventura entre bandidos THE GETAWAY. O elenco contava com ótimos atores, como Al Letieri (que também filmaria O PODEROSO CHEFÃO naquele ano), Sally Strutters (do bem-sucedido e polêmico seriado de tv ALL IN THE FAMILY), dentre outros.
O grande filme, com roteiro de Walter Hill, baseado na novela de Jim Thompson, foi um sucesso estrondoso e é considerado um dos grandes filmes do gênero Ação. Quase todo filmado em seqüência, sem cortes, as mãos de Midas de Peckimpah, com tomada atrás de tomada deixa o público pedindo mais e sem aquele pequeno intervalo para beber uma água ou ao menos respirar.
Milimetricamente genial, THE GETAWAY teve duas mudanças a pedido de Steve McQueen: tanto o roteirista original Jim Thompson, que havia trabalhado 4 meses em cima de seu livro na adaptação do filme, escrevendo inclusive cenas alternativas, quanto o compositor  Jerry Fielding foram substituídos respectivamente por Walter Hill e Quincy Jones, que criou o belíssimo LOVE THEME FROM THE GETAWAY.
Quanto ao antigo roteirista, McQueen alegou que sua história para FUGA PERIGOSA havia resultado em um filme depressivo.

Duas cenas de THE GETAWAY(1972)

O COMEÇO DO OCASO DA ESTRELA

Durante as filmagens, McQueen e MacGraw se apaixonaram e se tornaram amantes. Ela imediatamente pediu o divórcio ao então marido Robert Evans, Produtor Executivo da Paramount, casando-se com seu novo amor em 1973, um escândalo na época. Robert tinha grandes planos para a esposa no ano de 1974. Ele havia reservado para ela o papel de Daisy em THE GREAT GATSBY e a protagonista em CHINATOWN. Com seu orgulho ferido, ele então cedeu o papel de Daisy para Mia Farrow e o de CHINATOWN ficou para Faye Dunaway.
Se divorciar de Evans para se casar com McQueen fez com que ela perdesse a oportunidade de estrelar filmes que fazem hoje parte da História do cinema. Já o casamento com Steve não durou muito. Em 1978, eles se separaram. Ela nunca mais se casou. O Ator faleceu em 1980, vítica de câncer no pulmão. Neste mesmo ano de 1978, Ali voltaria à tela grande depois de um hiato de seis anos, no filme CONVOY, ao lado de Khris Kristoffeson, mas sua carreira nunca mais teve a mesma chama de antes.
Recentemente a atriz declarou que só participou da série de tv DINASTIA, nos anos 80, pois precisava muitíssimo de dinheiro. Caso contrário...
Em 1995, Ali publicou sua auto-biografia, intitulada MOVING PICTURES, na qual conta sobre seus terríveis problemas com o álcool e doentia dependência de homens, além de afirmar que seu pai era um homem violento. Ela hoje lembra da época em que freqüentava Malibu com grande nostalgia. Para a beldade dos anos 70, era muito mais fácil ser um artista de Hollywood naquela época, pois ela e seus amigos não eram perseguidos pelos paparazzis como as celebridades de hoje são. Eles saíam normalmente de seus condomínios, as festas na piscina não eram fotografadas de helicóptero, além de ter sinceramente declarado que as celebridades daquela época eram pessoas reais e dignas de admiração. Uma outra Hollywood, que não existe mais.
Ter começado a trabalhar aos 14 anos também a ajudou a ter os pés no chão quando o sucesso no cinema veio. Ela diz que ter começado a atuar aos 30 foi a melhor coisa que lhe aconteceu, pois já estava mais madura e havia experimentado vários empregos de garotas normais adolescentes.
Ali MacGraw tem 72 anos de idade e apesar de tudo de ruim que aconteceu entre ela e Evans, os dois permaneceram bons amigos. Ela vive em três residências: Santa Fé, New México e Los Angeles, Califórnia. Uma de suas casas pegou fogo enquanto ela tentava alugá-la, há pouco tempo atrás.

Em CONVOY(1978)
Em DINASTIA, anos 80.

sábado, 27 de agosto de 2011

Me ajudem a melhorar "Cinema Clássico"!!!

Olá, leitores! Como vocês podem ver, existe uma nova enquete, do lado esquerdo da página. O objetivo dela é saber de vocês o que falta por aqui para uma melhora, ok? Eu mesma sinto que coloco dramas demais e centralizo numa década só, mas mesmo assim, a opinião de vocês é fundamental. Gostaria muitíssimo que votassem na enquete e se tiverem outra sugestão que não está lá, postem comentários aqui.
Este blog também é de vocês!
Um abraço,
Daniele Moura.

Ali MacGraw


A DAMA DO LAGO: o suspense policial e suas "bad girls"


Muitas surpresas são encontradas ao final deste suspense, dirigido e estrelado por Robert Montgomery. Até o assassino ser finalmente descoberto, o filme parece de fácil absorção, com vilões suspeitos até o último fio de cabelo. Ledo engano. Ele mesmo, Montgomery, já como o Detetive Particular Philip Marlowe faz a introdução da história, revelando, sentado numa cadeira, que muitos espectadores poderiam descobrir o fascínora desde o início. Outros, não, alertando ao público não tentar parecer tão esperto pensando que desvendaram o quebra-cabeça.
E sua gabolice não foi em vão. Durante a brilhante trama de mistério, como todo suspense policial deve ter, com figuras de duas caras e misteriosas, há quem pense que a culpada seja a principal suspeita do início, Adrienne Fromsett(Audrey Totter), assistente do dono das publicações Kingsby. Mulher ambiciosa e manipuladora, ela convence Phillip a investigar o desaparecimento de Crystal, a ex-esposa do dono da editora, Derace Kingsby (Leon Ames), seu alvo milionário para entrar na alta sociedade. Típico caso da funcionária que dá o sangue pela empresa, consegue passar pelos lençóis do patrão, até conseguir ser sua protegida e ganhar um império.
Este tipo de personagem é um dos ingredientes básicos de uma história policial, seja ela Noir ou não. Principalmente em relação às mulheres: a equipe criadora tenta fazer com que o público deste gênero entenda que a mocinha não é perfeita. Teve seus deslizes de caráter, mas ao final, se redime nos braços de um atraente Detetive. Como o Detetive nestas histórias é sempre o símbolo da verdade, o herói, conclui-se que a mocinha saiu do fundo do poço e conseguiu se salvar, através da verdade, incluindo o amor.
Phillip havia entrado no escritório da Kingsby Publications inicialmente para tentar publicar o conto de crime que escrevera, já que sua carreira de Detetive Particular não lhe dava mais dinheiro algum. Adrienne, astuta e sedutora, o coloca então numa teia perigosa de estranhos assassinatos, descobertos através da morte do suposto amante da moça, Chris Lavery (Dick Simmons).Como se já não bastasse o excelente roteiro de Steve Fischer, baseado na novela de Raymond Chandler, existe um detalhe em peculiar que chama atenção: a maneira escolhida para filmar A DAMA DO LAGO. No início, há de se pensar que as tomadas diretas na atriz Audrey Totter fizessem parte da cena de abertura do filme. Porém, o diretor continua da mesma forma.
A cada ator que entra em cena, a câmera permanece nele e quase nunca vemos Robert Montgomery, o que enfatiza ainda mais o clima de suspense e culpa em cima de determinado personagem, além de levar ao espectador sentimento maior de agonia e ansiedade. O público fica à par de todas as reações dos personagens, os gestos faciais e corporais os colocam em destaque especial, denotando a culpa pelo crime em cada um deles. Imagine uma cena em que duas pessoas contracenam, mas a câmera só é trabalhada em um deles (sempre no suspeito). Diferente, não? Uma tentativa muito boa, na verdade, da idéia do diretor de contar a história através do seu próprio ponto de vista. A DAMA DO LAGO foi um filme tão bem pensado que até os policiais, incluindo o Chefe de Polícia, são suspeitos.
A atriz que é parte vilã, parte mocinha, Audrey Totter, fez de sua personagem uma caricatura graças às expressões faciais exageradamente estudadas. Sua indiferença à desconfiança permanente de Phillip e de sua petulância é mostrada à audiência com caretas por várias vezes horrendas. Se não fosse por isso, talvez tivesse feito um trabalho impecável, já que o resto de sua Adrienne foi construída para intrigar e consegue até arrancar raiva e nojo de quem a assiste.
Há uma atuação muito decente de Leon Ames, presente como o endinheirado Derace Kingsby. Durante a história, ele passa de possível suspeito a uma figura paternal e digna. Um homem que caiu na armadilha de uma moça gananciosa, mas longe de ser um jogador ou vilão. Já Jayne Meadows está assustadora como Mildred Havelend, quando fala com voz soprosa ao apontar uma arma para Phillip, num quarto de hotel barato.
A atriz convidada a viver a mulher desaparecida de Kingsby, Crystal é uma pessoa fictícia. Seu nome é Ellay Mort, uma ligação ao francês Elle et Mort(ela é morta ou She is dead). A DAMA DO LAGO foi o último filme de Robert Montgomery para a MGM, que estava sob contrato do estúdio desde 1929. O filme foi lançado em 1947 junto com outra direção do artista: Ride the Pink Horse, também um suspense, desta vez ambientado no México, com roteiro do grande Ben Hecht. No ano seguinte, a Lux Radio Theater lançou uma versão de 60 min de A DAMA DO LAGO para o rádio, com os mesmos protagonistas. Montgomery dirigiu 6 filmes ao todo, começando em 1945 por They Were Expendable, onde não foi creditado por este trabalho, mas atuou como protagonista ao lado de John Wayne e Donna Reed.

Hard for the money: as Bad Girls nos suspenses policiais

Detetive Particular em filmes policiais de suspense são o sinônimo da honestidade, como já visto anteriormente. Eles são a salvação de uma certa parte ou clã de alta sociedade perdida, que se envolve com gângsters e bandidos de uma classe inferior, terminando estes ricos corruptos numa verdadeira arapuca da qual ninguém os consegue tirar. Como outro exemplo, em LAURA(1944), dirigido por Otto Premminger, temos a personagem-título como a protegée de Waldo Lydecker(Clifton Webb). Ele consegue um cargo para ela, lançando sua carreira de publicitária e Laura consegue prosperar, como sua...amante. Mais tarde, no mesmo filme, o jovem e belo Shelby Carpenter, vivido por Vincent Price na sua fase de galã, tem sua história minimamente contada através de um romance com a muito mais velha Ann Treadwell(a incrível Judith Anderson). Ela o banca descaradamente, de fio a pavio. O mesmo Shelby conhece Laura quando esta já é bem-sucedida e as cartas mudam rapidamente. Agora quem “financia” Shelby é Laura e ele consegue matar dois coelhos com um só tiro: ter uma mulher poderosa em sua vida, que além de tudo é linda como ele. Como a fruta nunca cai longe da árvore, a alegria do super malandro Shelby dura pouco quando a mocinha em questão se apaixona por quem? Pelo belo, robusto e honesto Detetive Particular Mark McPherson(Dana Andrews).
Laura, que já fora mulher de vários homens, incluindo o pintor de seu quadro, agora tem uma outra visão da vida, através do amor verdadeiro e sem interesses materiais. Obra da Liga da Decência da época? Parece que sim, já que nos anos 40 a quantidade de filmes onde o quarto do casal é mostrado com duas camas é inacreditável. Então, a mocinha não poderia ser uma bad girl a vida inteira.
Uma certa verdade humana é encontrada em A DAMA DO LAGO, quando a personagem Adrienne diz ao Detetive Phillip, após ser chutada pelo marido: “Ficar com você e voltar a ser pobre? Já passei por muita coisa e não pretendo repetir. Haverão outros Kingsbys e eu acharei o meu novamente”. Essa é a verdadeira bad girl, a mulher estilo trash em sua melhor forma, por quem o Detetive se apaixona, mesmo dizendo a conhecer muito bem. Não que LAURA  tenha deixado de mostrá-la. Acredito até que em cada suspense policial, cada garota tem sua caraterística principal, mas a base é uma só(parodiando a música de Tom Jobim): ou seja, ela é corrupta e volúvel, mas tem um lado bom adormecido lá no fundo, que só o Detetive Particular é capaz de trazer de volta.

A pessoa por trás das câmeras: Irene

Responsável pelos figurinos desta produção, a lendária Irene trabalhou em 12 filmes no ano de 1947. A artista esteve presente nas criações de personagens de Judy Garland, como O PIRATA, no ano seguinte, QUANDO AS NUVENS PASSAM(1946) , MEET ME IN SAINT LOUIS(1944), dentre outros. São marcantes seus trabalhos nos jovens anos de Elizabeth Taylor, assinando os figurinos de NATIONAL VELVET à saga LASSIE. Dentre seus inúmeros grandes trabalhos como designer destaca-se também o musical KISMET, de 1944. Irene também desenhou as roupas de Ingrid Bergman em sua estréia hollywoodiana, com INTERMEZZO(1939). E as estrelas que foram vestidas por ela não param por aí. Irene trabalhou para Hedy Lammar, Constance Bennet, Carole Lombard, Lana Turner e toda uma constelação dos anos de ouro da Metro. Com mais de 100 títulos no currículo de Designer, Irene Lentz nasceu em Montana, no ano de 1900, falecendo antes de completar os 62 anos, em Los Angeles, 1961. Em 1936 casou-se com Eliot Gibbons, irmão do gênio da direção de arte cinematográfica Cedric Gibbons. Sua morte foi triste e bizarra: se hospedou num hotel em Los Angeles e tentou o suicídio cortando os pulsos. Não conseguindo, resolveu então pular do 14º andar do edifício, encerrando desta forma uma vida de sucessos imortalizados nas telas. 

Obs: Clique nas fotos para vê-las em tamanho maior!

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Um pequeno intervalo...

Gostaria de dizer a todos que visitam e comentam no blog que estou sem postar e, acreditem, só agora voltei a pensar nos próximos textos. Andei submersa em trabalho( oque é bom) e em problemas pessoais(tomara amanhã acorde sem eles). 2 semanas sem escrever pra mim já representa coisa séria, assim como não poder visitar os blogs amigos. Pensar em quantos textos eu poderia ter escrito para tentar sanar os meus infortúnios, mas acabei passando pelo pior inerte, exatamente como na foto abaixo. Prometo a vocês que voltarei, assim que puder, tanto como escritora e editora deste blog quanto leitora dos amigos, ativos e brilhantes.
Um abraço acalorado e até breve,
Daniele Moura.

Lana Turner em "Another Time, Another Place"(1958)


terça-feira, 9 de agosto de 2011

Garbo na China em "O Véu Pintado"

Garbo. Este é o primeiro nome que aparece nos créditos iniciais de O VÉU PINTADO(THE PAINTED VEIL), produção de Hunt Stromberg, lançado em 1934. Naquela época, a popularidade da atriz era tão grande que enquanto o expectador acompanha na tela o título do filme, elenco, ficha técnica, produção e direção, o nome GARBO continua ao fundo, até o final, como se fosse uma das telas de pintura dos filmes da Metro daquela época: o que normalmente eram desenhos feitos pelo departamento de arte do estúdio para acompanhar os créditos dos filmes, em O VÉU PINTADO é apenas Garbo em letras garrafais.
Mas apesar da grandeza da estrela sueca e seu poder junto ao público nas bilheterias, este filme dirigido por Richard Boleslawski não foi muito bem recebido e até hoje a crítica o rejeita, comparando-o com seus verdadeiros sucessos. A história original é do aclamado escritor, autor de obras como The Razor's Edge e Of Human Bondage, W. Somerset Maugham, adaptado para o cinema por Salka Viertel, Edith Fitzgerald e  John Meehan. 

Walter Fane(Herbert Marchall) se casa com a austríaca Katrin(Greta). Médico dedicado, acostumado a viajar o mundo em meio a novas pesquisas, ele a convida a acompanhá-lo para uma viagem à China. Ela, excitada com a possibilidade de conhecer lugares em que jamais esteve, aceita o casamento e a viagem. O VÉU PINTADO se parece muito com Madame Bovary. A mulher inexperiente no amor e na vida, que aceita se casar com o primeiro pretendente, pensando que vai viver um conto de fadas, mas acaba se entediando diante da decepção. Por consequência, a traição passa a se tornar uma fuga. Ambos sofrem e o casamento logo se desmorona, deixando a ruína nas vidas de ambos.
Com excessão de que a personagem de Maugham não tem mania de grandeza e além disso se arrepende da traição e resolve acompanhar o marido durante a epidemia de Cólera, há bastante semelhança com a obra de Flaubert. Até o sofrimento e melancolia do Dr. Fane  quando a esposa se recolhe em seu quarto, sem querer vê-lo, num misto de culpa e rejeição lembra a consternação do Dr. Charles Bovary.
Confesso que ainda não assisti a versão mais atual, com Naomi Watts no papel de Katrin, mas já li várias críticas favoráveis, dizendo que é a obra cinematográfica que mais perto chegou do livro. Também vale lembrar que os críticos compararam as duas versões e juram de pés juntos que o primeiro filme é de longe o mais fraco.
Para os fãs da "Divina" vale à pena vê-la ao lado de Herbert Marshall e George Brent(o amante na história). Existem sempre momentos marcantes em filmes de Greta Garbo, por mais que este não seja um RAINHA CRISTINA ou A DAMA DAS CAMÉLIAS.
O VÉU PINTADO é exótico e se Garbo já era exótica por si só, vê-la numa comunidade chinesa é no mínimo três vezes mais. Especial e mágico é o momento em que ela enrola um pano branco na cabeça, transformando-o num turbante, emuldurando seu belo rosto e deixando-o ainda mais destacado. A cena que sua personagem está com o amante no Festival Chinês é um dos pontos altos do filme. Emocionante vê-la arrependida, vestida com um hábito, voluntariando com as outras enfermeiras e se deixando descobrir pelo marido, já com as esperanças perdidas.
O início do filme, onde Katrin diz: "Um homem ser só bom não é muito excitante"
Garbo e George Brent

Garbo e Herbert Marshall
GARBO AINDA DITA MODA

Greta Garbo foi assunto de uma matéria da Vogue Brasil de julho. Aquela famosa edição que levou às bancas quatro capas com a übermodel Gisele Bundchen. O artigo de uma página fala sobre a tendência do próximo verão - as orquídeas, que já circularam nas passarelas. A inspiração veio da criação do estilista Adrian, que inseriu as exóticas flores nos vestidos de Greta Garbo para o filme WILD ORCHIIDS(ORQUÍDEAS SELVAGENS), de 1929. As orquídeas estiveram em alta no inverno europeu, pelas mãos de Riccardo Tisci, da Givenchy e pelo visto vão reinar também no verão, em lindas estampas em seda da Louis Vouitton e também em belíssimos acessórios. O inverno 2012 da Givenchy promete, com Garbo repaginada e dignamente homenageada.
Por que moda também é arte!

Dois momentos de Garbo em Wild Orchids(1929)





Garbo inspira:
Givenchy, 2012

Iódice para SPFW: Verão 2012