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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

RED HEADED WOMAN – 1932



A MULHER DOS CABELOS VERMELHOS foi mais um veículo da MGM para que Jean Harlow reencarnasse o símbolo sexual que surgiu em ANJOS DO INFERNO(1931).  Na história de Katherine Brush(com roteiro de Anita Loos), Lillian ou Red é uma voluptuosa e bela mulher que deseja subir na vida. O luxo que procura está ligado aos homens que precisa possuir e eles são sua escada. Ela pinta os cabelos de vermelho e diz: “Então os homens preferem as loiras, não é?” Olha no espelho com extrema segurança e completa com um irônico “tá bom!”. Harlow contracena com Una Merkel, sua fiel amiga no filme e com o charmoso Chester Morris.
A comédia produzida por Irving Thalberg foi realizada antes do código Hay começar a vigorar em toda Hollywood. O que a torna super interessante, por sinal, ao apresentar tantos detalhes que a sociedade jamais concordaria que uma mulher possuísse. Lil ou Red  é o símbolo da mulher sem escrúpulos, que usa e abusa de sua forte sensualidade para conquistar cada vez mais, atrair ainda mais e faturar sem limites. E não existem mesmo limites para Red: Sally (Una Merkel) é a amiga de todas as horas, mesmo chocando-se com as atrocidades de falha de caráter que provêm de Red, ela a apóia até o fim, ouvindo seus absurdos para conseguir um lugar na alta sociedade. Ouve-se sempre um suspiro de susto em Sally, a cada história contada pela vigarista.

O troféu maior de Red no início do filme é William Legendre Jr(Chester Morris), filho de um rico empresário, cuja fortuna é um dos sonhos de consumo da ruiva sensual. Ela consegue um emprego de secretária na empresa onde pai e filho trabalham juntos e assim, Red põe seu plano em ação: destruir o casamento de Bill com Irene(Leila Hyams), uma recatada e educada mulher, que ama Bill, mas não consegue aceitar o fato dele ter se envolvido com tal tipo de mulher. Bill ama a esposa, mas sua atração pela amante é mais forte até que um sólido casamento com uma amorosa e doce esposa. O pai de Bill, vivido pelo lendário Lewis Stone, percebe logo o plano da golpista e avisa ao filho que um casamento como o dele é difícil de achar. Ele até pede para Bill mandar ele pessoalmente dar dinheiro para Red sair da cidade, mas...Tudo em vão. Eles se reencontram e ela o seduz novamente.

A cena de Harlow chegando na casa de Bill e Irene bêbada é um dos pontos altos do filme, e vemos com nitidez o talento cômico desta que foi tão desvalorizada como atriz pela imprensa. A cena anterior é Harlow se embebedando de gim ao som de “Frankie and Johnny” e sem dúvidas é uma das melhores. Chega Sally desliga o gramophone e diz: “E tudo isso por que um cara não quis te atender no telefone...”
É possível ler na Internet alguns depoimentos de pessoas que assistiram RED-HEADED WOMAN e ficaram revoltadas com o bom final escolhido para Red. Como, afinal, uma mulher desclassificada como essa pode ter um bom destino? Será que isso não sugeitaria mulheres a se tornarem Reds da vida? Muito relativo: questão pura e simplesmente de caráter. Quem já tem vocação verá o filme como inspiração, mas quem não tem se espelhará na mocinha Irene e seu desejo de manter ao lado dela o homem que ama, sem golpe baixo. Ou de Sally, a amiga que vê tudo de errado, mas não trai jamais.

Para a produção, a MGM colocou em Jean uma peruca ruiva, já que Clara Bow(que não precisaria recorrer a artifícios, já que era ruiva de verdade) não aceitou fazer o filme pois já havia assinado um contrato com a Paramount. Estava, portanto receosa em assinar outro com a Metro. Apesar de imaginar este filme perfeitamente com Clara, hoje é difícil lembrá-lo sem que venha a figura graciosa de Harlow à mente. Atenção para a aparição de Charles Boyer como o terceiro amante de Red – o motorista Albert. Enfim, existem vários motivos para procurar este filme, já que ele não foi lançado no Brasil. As atuações, a produção caprichada, direção de Jack Conway, direção de arte do mestre Cedric Gibbons e...é claro! Os figurinos belíssimos de Adrian.

Quem nunca viu, vejam pelos atores, pela equipe maravilhosa. É uma diversão que certamente gostarão de repetir várias vezes!!!
Capa do livro


Jean lendo uma cópia do livro


5 comentários:

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Nunca vi esse filme, Dani. Como fã de Harlow e Boyer fiquei curioso. Abração.

disse...

Dani, adoro Jean e inclusive estou baixando Wife vs. Secretary! Com certeza este entra na lista dos próximos a serem vistos, ainda mais por ter sido feito antes do código Hays!
Beijos!

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Jefferson C. Vendrame disse...

Olá Dani, fiquei instigado a ver esse filme, não o conhecia. Como são raros esses títulos no Brasil não é?

Ótimo Post...

Apareça em meu blog, anda sumida....

Abração

As Tertulías disse...

Querida Dani, voce acredita que só assisti UM filme de Harlow? Uma vergonha... agora voce me motivou e eu colocar em dia esta "falha" cinematográfica! Amei a postagem como sempre adoro o que voce escreve!!!! Beijos
Ricardo

Daniele Rodrigues de Moura disse...

Olá, meus queridos!!
Primeiro um abraço a todos. Estive ausente por causa da peça, mas aos poucos voltarei a aparecer nos sites de vcs, ok?
Então, este filme é com certeza um dos melhores de harlow. Um dos mais engraçados, divertidos e ela está muuuito bem. Adoro a naturalidade dela ao representar. Eu consigo imaginar harlow como uma estrela hoje, facilmente.
Não é difícil pegar o filme pra ver: baixei o meu pelo torrent. É só colocar o título do filme em inglês e o ano 1932 na barra de busca do google e vai aparecer os links lá. Procurem o pirate bay, eu gosto de baixar por lá.
Bjos
Dani