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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

MYRNA LOY


Myrna Loy. Tantas coisas vem à mente quando surge este nome...a aura de elegância pode trazer uma sensação de arrogância e do ser inatingível. Porém, tudo isto se quebrava ao meio quando ela começava a falar, com sua voz suave, baixa tonalidade, a ponto de desejarmos que ela fosse um anjo. A "esposa perfeita" era o tipo de personagem com a qual ficou marcada. Qual o marido não gostaria de chegar em casa e encontrar tanto amor no olhar, na voz e nos gestos, exatamente da maneira que Myrna Loy inrterpretava? A perfeita companhia de Nora Charles e sua sede de aventuras,  Milly Stephenson e seu amor profundo pelo marido que volta da 2ª Guerra, Muriel Blandings e o sonho de ter uma casa nova e confortável, Ann e sua paixão pelo marido piloto de testes, Linda e a certeza que seu amado não a trocará pela secretária sexy...São tantos papéis motivo de deleite para os admiradores desta ruiva, bem como os inúmeros clássicos dos quais estes personagens fazem parte. Difícil tarefa colocá-los em um só texto. Nem é bom o atrevimento, porém a homenagem a alguns destes trabalhos torna-se um delicioso compromisso. Escrever sobre Myrna Loy pode ser tão leve como suas esposas refinadas como também um sinuoso jogo de palavras, quando chegamos em suas personagens mais vilanescas.

Inesquecível a maneira de se vestir, impecável dos pés a cabeça: casacos de pele, chapéus, vestidos de gala, gola imperial, mangas bufantes e longas! Tudo era feito na MGM para que Myrna parecesse uma rainha. E realmente ela ganhou este título de Louis B Mayer depois dos votos do público, ainda nos anos 30. Ao seu lado , como o Rei, estava o velho companheiro de vários filmes - Clark Gable, astro de primeira grandeza com reinado absoluto na época em que se tornava o Rhett Butler preferido pelas mulheres norte-americanas. MANHATTAN MELODRAMA(1934), o filme que John Dillinger acabara de ver quando foi assassinado, traz Loy, Gable e William Powell em uma trama que gira entorno do caráter e da corrupção. Temos que amá-la como a sonhadora Eleanor, que troca o frio Blackie(Gable) pelo bondoso e romântico Jim Wade(Powell). Como Billie Burke em THE GREAT ZIEGFELD(1936), novamente ao lado de William Powell(com quem trabalhou em 13 produções), é dedicada e doce o tempo todo. Despreocupada com o dinheiro do grande empresário, ela anseia apenas em ser amada e respeitada por ele

Houve um tempo, no início de sua carreira, em que deu vida a mulheres fúteis, frias e egoístas. Assim como as femme fatales ao estilo Theda Bara, com olhos pintados de negro, enfatizando sua face exótica. Indecente em VANITY FAIR(1932), perigosa em THE MASK OF FU MANCHU(1932), egoísta e fútil em MEN IN WHITE(1934) e adúltera em EVELYN PRENTICE(1934).  A crítica e o público preferiam vê-la como a boa moça, mas isso não impediu Myrna de realizar filmes onde eram explorados os valores errados do ser humano. Ela está assustadora em THE RAINS CAME(1939), no mesmo ano em que rodou mais um dos seis filmes da série THE THIN MAN. Assim como a maioria das atrizes, não suportava rótulos e certa vez disse, em tom irônico: "Eu devo ser a mulher perfeita mesmo: me casei quatro vezes, divorciei quatro, não tive filhos e nem sei cozinhar um ovo." Tinha verdadeiro pavor de sua carreira durante os anos 20, sempre como a vamp festeira e vazia. Durante anos Myrna Loy lutou para se livrar deste tipo de papel, pois achava que não a estavam aproveitando como deveriam. A favor dos direitos dos negros, adorada pelas mulheres e um sonho para os homens, Myrna Loy permanece no imaginário de todos os que assistem a um filme seu. Impossível esquecer aquela figura graciosa, cheia de delicadeza, feminina por si só. O Cinema tem dessas coisas: imortaliza a quem tem o dom de encantar. E certamente encantados ficamos.


6 comentários:

disse...

Myrna é uma dessas pessoas admiráveis não apenas por seu trabalho tão vasto e de tantas personagens, mas também por seu caráter e, claro, elegância.
Beijos!

Anônimo disse...

Necessidade de manter testando meu blog. Não funciona como eu quero que ela ainda. Obrigado pelo tema. Talvez isto vai ter o meu olhar melhor.

Daniele Rodrigues de Moura disse...

É mesmo! Um charme! Parecia um camafeu, de tão delicada!
Bjinhos!!!

Fanzine Episódio Cultural disse...

DEDICADO A TI

Você é a luz
Que ilumina minha escuridão,
A paz que acalma minha alma,
O beijo que adocica os meus lábios,
O fogo que me queima,
As palavras que me orientam,
A paixão que não cessa,
O amor que se eterniza...

(Agamenon Troyan)

Daniele Rodrigues de Moura disse...

Lindo, Agamenon,
muito obrigada!!

Marcela Queiroz disse...

http://atrizes-classicas.blogspot.com.br/