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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

"The Lost Weekend "- 1945

Os filmes que retratam muito bem os alcoólatras nos impressionam quando têm grandes atuações. É preciso um grande trabalho de pesquisa, um enorme preparo para se interpretar um viciado em bebidas. Ray Milland, em "Farrapo Humano", filme dirigido por Billy Wilder, não ficou para trás: passou por paciente em um hospital para viciados e perdeu o interesse pela comida. Parte desta preparação rendeu um dos maiores estudos de personagens alcoólatras da história do cinema. Duas das cenas que marcam esta produção de 1945 é quando Don Birnam(Milland), desesperado por um drinque, revira seu apartamento de cabeça para baixo à procura de sua garrafa perdida. Ele finalmente encontra a garrafa no teto, pendurada no lustre da sala, mas já se encontra acabado, despedaçado...um farrapo humano como o título em Português muito bem retratou. Mas a cena que ganha de todas por ser a mais forte é quando Don delira naquela mesma sala e começa a ver um morcego entrar pela janela e sobrevoá-lo. Logo depois surge um rato, que roe um buraco imenso na parede e então o morcego o mata, deixando Don Birnam totalmente atordoado. Sua namorada Helen( Jane Wyman), chateada pelas críticas da senhoria do prédio(que numa cena anterior disse que "preferia que ele estivesse morto") tenta entrar no apartamento, graças ao apelo da mesma senhoria. Helen St. James, com Wyman em ótima forma cênica, encontra Don chorando e berrando e pede para que ele, carregado por ela, olhe a parede. Ele vê, então que não existe nenhum buraco. Nada de morcegos ou ratos. Está tudo em sua mente, tomada pelo vício. O mesmo vício que já havia destruído sua auto-estima e dito a ele mesmo que Don Birnam não era ninguém, nem escritor e sim, um alcoólatra. Vivendo de favor na casa do irmão Wick(Philip Terry), sem nenhum livro de sucesso. O personagem mergulha ainda mais no alcoolismo depois que aceita passar um fim de semana na companhia das pessoas que o cercam e o amam. O decadente escritor, ávido por bebida, leva sua ferramenta de trabalho à loja de penhores: a máquina de escrever. Momento bonito porém hipócrita: o barman se recusa a dar-lhe mais álcool.  Um dos pontos altos do filme; que o faz ainda mais encantador é a relação de Milland e Wyman. Apesar de ser muito bem querido por seu irmão Wick(Philip Terry) é em Helen que Don encontra a verdadeira força irmã. Jane Wyman interpreta a namorada que todo homem gostaria de ter depois que assiste a este filme: a amiga e companheira de todas as horas, até de um viciado. Em "Farrapo Humano" não vemos uma relação de desejo entre homem e mulher. Não existe sensualidade. A linguagem cinematográfica de Wilder foi captar a imagem do alcoolismo como tão repugnante a ponto de não existir espaço para o romance: nem o virginal nem o sensual. Helen é a segunda irmã de Don e o filme mostra que é preciso força de vontade, sim, mas sem ajuda e apoio de pessoas queridas, ninguém consegue largar este vício. Acredito que o que tenha estragado o roteiro de "The Lost Weekend" foi o final abrupto, onde o personagem de Ray Milland simplesmente , depois de mais de uma hora de filme, decide parar de beber. Muito de repente, com presença de revólver e uma garota pressionando seria impossível um alcoóltra como ele deixar a bebida naquele exato instante. Mas, tirando este final grosseiro(parece que a produção queria que o filme terminasse a qualquer custo) é altamente recomendável conferir, para os que ainda não viram este clássico do drama.

5 comentários:

Tertúlias... disse...

Um fato foi retirad daestóra original: que ele era homosexual. No filme sua frustracao é agradecida muito à sua impossibilidade de escrever. Na realidade ele é um homosexual escritor impossibilitado de escrever. A única mencao feita a este fato é quando o enfermeiro lhe diz "Good-Morning Mary Sunschine" (reparou nisso?). Pessoalmente acho a cena chocante quando ele rouba a bolsa da moca sentada a seu lado no restaurante... Mas a verdade é uma: o roteiro original noa foi aceito pela censura e foi "amaciado". Mesmo assim ninguém queria fezer este papel. Ray Milland (magnífico... adoro-o tb. em "Disque M para matar" de Hitchcock) teve a coragem - e levou um merecido Oscar para casa!!!!! Bela postagem - bom lembrar-se do trabalho de Billy Wilder no início de sua carreira nos U.S.A.

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Dani, "Tertúlias" já disse tudo. Ia exatamente comentar sobre a homossexualidade reprimida do protagonista descartada no fime.
É um filme forte. O Milland mereceu o Oscar.

www.ofalcaomaltes.blogspot.com

Cinema Clássico disse...

Nossa, não sabia disso. Não tinha reparado no "Good Morning Mary Sunshine". Que coisa...Por isso que Helen parece irmã dele, então...kkkk! E eu, inocente, já prosando sobre uma possível alusão álcool/ausência de romance.
Obrigada pelas informações.

Dilberto L. Rosa disse...

Sempre achei que havia uma segunda linha nessa estória toda... Assim como em outros clássicos, como Ben-Hur: não se podia falar de homossexualidade naquele tempo... Mas,muito maior que isso, trata-se de um grande filme, ao tratar de um drama que poderia ser pesado, mas que teve leveza e bom humor nas horas precisas (lema maior de Wilder, "Nunca canse o espectador"!)! Ótimo texto! Abração!

Anônimo disse...

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