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domingo, 11 de setembro de 2011

NY, I Love You: Serpico, 1973

11 de setembro de 2001 ficará marcado para sempre como um dia trágico, quando aviões colidindo com as Torres Gêmeas, provocaram mortes de pessoas inocentes, civis que não tinham nada a ver com a guerra sem freios entre Estados Unidos e Oriente Médio. Aquelas pessoas, funcionárias do World Trade Center só estavam ali para cumprir suas funções. Trabalhar e no final do dia, encontrar suas famílias em casa. Estas famílias certamente choram, exatos 10 anos após o acontecimento, as mortes de seus entes queridos.
Os anos 70 trouxeram para o cinema norte-americano o realismo que os diretores europeus já mostravam em décadas passadas. Graças à cineastas jovens como Martin Scorsese, Stanley Kubrick, Woody Allen e outros, temas como homossexualiamo e o sexo em geral, tráfico de drogas e corrupção, dentre outros, começaram a ser abordados de frente, sem dedos ou medo do que o público ou a crítica poderiam pensar. Os filmes eram pensados não para o público, com aquela cautela dos anos 40 e 50 com o Código Hayes vigente, impondo a "decência" às famílias, mas sim para os próprios artistas envolvidos e suas mentes embuídas em fazer um cinema mais relacionado com o que estava-se vivendo naquele momento. A mulher dos anos 70 não era a mesma, o adolescente também não. A música mudara. E o cinema tratou de fazer o mesmo. Era inaugurada a "new Hollywood".
 Sidney Lumet, nascido na Philadelphia, em 1924, fez filmes memoráveis como UM DIA DE CÃO(1975) e REDE DE INTRIGAS(1976). Anos antes, em 73, a temática de corrupção na polícia nova-yorquina, baseada na história real do policial Frank Serpico deu origem a um filme memorável. SERPICO, todo rodado em Nova York, tem como personagem-título o então jovem ator Al Pacino. Ele havia saído de um estrondoso sucesso - THE GODFATHER, no ano anterior, filme que o consagraria como grande talento da atuação. Realmente, depois deste filme, sua carreira mudaria para sempre. A história de SERPICO foi contada com a presença do próprio policial, já aposentado, nos sets de filmagens. Ele esteve presente até um certo período de gravações, quando o produtor Martin Bregman achou melhor tirá-lo  por considerar sua presença no local um tanto desconcentrante. Al Pacino conviveu com o real Serpico, a fim de construir melhor seu personagem e então, o convidou para morar em seu apartamento, a poucos blocos de onde eram gravadas as principais cenas do filme.
Frank Serpico arriscou sua própria vida ao confrontar a máfia da corrupção entre policiais na Nova York no final dos anos 60. Descobrindo que seu parceiro nas ruas aceitava propina, ele se esquivou, negando-se em aceitar dinheiro e atuou como observador deste e de seu segundo parceiro, que também era corrupto. Serpico passou então a fazer denúncias internas de seus colegas, mas o Chefe de Departamento de Polícia negou-se a ajudá-lo e o transferiu para Manhattan. Até que uma proposta de fazer a denúncia de corrupção ao The NY Times joga tudo no ventilador e Serpico é intimado a depôr. Dentro do Departamento, ele é ameaçado e humilhado por alguns "colegas" de trabalho, mas sua coragem e rebeldia são suficientes para enfrentá-los e permanecer imune a qualquer ameaça. Frank teve seu ouvido esquerdo atingido por um tiro, durante uma batida policial no apartamento de traficantes, que dispararam a arma com a porta entre-aberta. O resultado foi a surdez definitiva deste ouvido.
O filme baseado no livro de Peter Maas foi roteirizado por Waldo Salt e traz um personagem revoltado com o Sistema, o qual ele diz, na maior parte do enredo, "totalmente corrompido". A atuação de Al Pacino permite que o público veja o homem por trás da figura do policial, sensível e humano. Se já fosse possível esperar encontrar a humanidade pelo simples fato de ser um policial honesto, Al Pacino vai além, com sua atuação à beira da loucura. Um personagem honesto no meio de um ninho de ratos. Serpico tem momentos de solidão, intensas brigas com namoradas, parceiros, gente da alta patente da Polícia, acessos de raiva e com sua incansável luta ele tenta abrir os olhos de um sistema cego pelo dinheiro, quando só o que estava em risco era sua própria pele. Porém, ele sobreviveu a tudo, tem um filho e parece que a honestidade venceu.


4 comentários:

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Gosto muito de SERPICO... Grande atuação de Pacino

O Falcão Maltês

Karla Hack dos Santos disse...

Serpico é fantástico... ótima referência para o proposto!!


;D

Daniele Moura disse...

Este filme é mesmo fora de série. Pacino em seu melhor.

Faroeste disse...

Pacino ainda segue sendo, ao lado de de Niro e Jon Voigth, um dos grandes astros da decadente Hollywood, em termos de atores deste quilate. De Caprio é o que sobra de uma semi nova geração e Gerard Butler o único escape da nova.
Não assisti a Serpico, porém assisti a quase tudo que este fez. E ressalvo aqui tres dos seus grandes trabalhos; Um dia de cão, Carlito Brigate (O Pagamento Final) e Fogo Contra Fogo.
Ele está envelhecendo e seus filmes reduzindo, porém, ao lado dos dois que ressalvei, ainda são os monstros sagrados de uma geração quase extinta.
jurandir_lima@bol.com.br