Todos os textos contidos neste blog são de propriedade intelectual da autora. Proibida reprodução total ou parcial sem autorização.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

CITY LIGHTS (1931)

Estou começando uma enquete em que vocês podem exibir suas opiniões através dos comentários. Qual o melhor filme de Chaplin, em sua opinião? O filme que mais te tocou ou aquele que tecnicamente é o melhor: (1) O Garoto); (2) Em Busca do Ouro, (3) O Circo, (4) City Lights. (5) Modern Times, (6) O Grande Ditador, (7) Luzes da Ribalta. (8) Os curtas -  "Casamento ou Luxo", é um trabalho em que Chaplin não aparece como ator, mas dirige a adorável Edna Purviance, sua grande parceira da época dos curtas. Digam o favorito!!

Em 1921, Chaplin trouxe a público o resultado de sua genialidade ao conceber O GAROTO(THE KID). Com Jackie Coogan ele era o pai amoroso, que adota um menino e tenta, apesar de sua limitada condição financeira, fazer com que ele tenha o melhor. O Vagabundo não pode cobrí-lo de mimos caros, mas os mimos do sentimento ele certamente tem e nós vimos ao longo desta jóia, que só um gênio como Chaplin poderia criar. 10 anos depois, sua comédia de pantomina se mistura mais uma vez aos lindos sentimentos de amor e é lançado CITY LIGHTS. Desta vez, o Vagabundo se apaixona perdidamente por uma linda florista. Mas ela é cega. Cheio de esperanças, mas não desejando nada em troca, ele tenta vários meios de ajudá-la, quando descobre que a moça pode ser despejada por atraso do aluguel. Além disso, ele descobre no jornal uma cirurgia que pode devolvê-la a visão. Ele arruma alguns empregos, incuindo o de Pugilista(em uma sequência hilária no ringue). Uma das cenas mais emocionantes de CITY LIGHTS é a de Florence Lee, quando recebe a carta de despejo, escondendo da neta. Para a cena em que Carlitos encontra pela primeira vez a florista, foram filmadas algo em torno de 300 tomadas, qual perfeccionista era Chaplin. Sua relação com a atriz que interpreta a florista, Virginia Cherril, foi marcada por uma indiferença até hoje intrigante. Cherrill chegou a ser substituída por Georgia Hale, de EM BUSCA DO OURO, que chegou a fazer o teste, porém Chaplin já tinha gasto muito dinheiro no filme e decidiu que a loira Virginia seria a florista.
No Brasil como LUZES DA CIDADE,  o filme emociona com a história de amor do casal, embora saibamos que o mais lúcido personagem é o de Chaplin, sabendo que é pobre e não pode oferecer conforto à sua amada. A florista, por outro lado, pensa que ele é um milionário e se encanta, ao achar estar vivendo um conto de fadas. Chaplin custou muito a encontrar a forma perfeita da florista achar que o vagabundo era rico. Até que teve a idéia de colocar a porta de um carro batendo, para que ela imaginasse o errado. O filme foi produzido entre 1927 a 1931, porém filmado em 180 dias.
Impressionante como Chaplin abordava as questões sociais em seus filmes. Ele procurava sempre chegar o mais perto possível da realidade dos pobres e zombava da classe média alta. O exemplo neste filme é o excêntrico ricaço vivido por Harry Myers. Ele só reconhece o vagabundo quando está bêbado. Sóbrio, Carlitos se torna um estranho, embora ele salvado a vida do alcóolatra, em uma das cenas mais engraçadas do filme. Além de viciado em bebida, o rico homem é um suicida inveterado, sempre tirando um revólver da gaveta, ameaçando atirar. Quem o salva de todas é o vagabundo.
A cena final se tornou um ícone na História do cinema: Carlitos encontra a garota, já curada. Agora ela não vende mais flores nas ruas, mas sim tem sua própria loja de fores com a avó. Ao vê-la há de se pensar que ela mudou totalmente. Está mais confiante, já pode reconhecer sua beleza no espelho, e não só como mulher, ela se sente segura na vida, pois a cgueira era uma coisa que prendia e a bania da vida que queria ter. O reencontro com o homem de lhe devolveu a visão no início pode ser vista com desprezo, já que ela debocha dele. O desfecho, porém, fascinante, faz com que ela saiba que estava diante de seu grande amor, quando o reconhece pelo tato.
"Você?"
"Sim, sou. Agora você pode enxergar..."
"É...agora eu posso enxergar..."


10 comentários:

disse...

City Lights é lindo, emocionante, divertido... praticamente perfeito! Talvez seja um dos meus filmes favoritos de Chaplin, mas com certeza é o que eu vi mais vezes. Acredita que teve uma vez que eu vi só porque descobri que Jean Harlow tinha uma ponta? Só depois fui saber que a cena em que ela aparecia foi cortada...
Beijos!

Daniele Rodrigues de Moura disse...

Lê, que coisa engraçada é a vida, né? Até esta semana eu assisti City Lights procurando a Jean, mas não acho. Eu pensava: "não é possível" E procurava nas cenas das festas e nada. Até nas tomadas de rua eu procurei. Obrigada por me esclarecer esta dúvida.
Este também é o meu filme favorito de Chaplin. Mas Tempos Modernos, Em Busca do Ouro, O Circo e O garoto são meus xodós! É até difícil escolher. Casamento ou Luxo, embora ele não apareça, também é fora de série.
Um abraço
Dani

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Um dos belos momentos de Chaplin. Super poético e divertido.

O Falcão Maltês

As Tertulías disse...

Eu choro neste filme... Coitadinho... apesar de ODIAR a cópia, do plágio que fez da estória de Brecht "O Sr. Puntilla e seu criado Matti"... Em sua relacao com o homem que só é seu amigo quando está bebedo... Nao é Jean harlow que danca o "Apache"???? Assim me contaram... mas nao coloco minha fogo...

Daniele Rodrigues de Moura disse...

É, Antonio: poesia é palavra certa para este filme, mesmo.
Ricardo, obrigada por elucidar este ponto: não sabia da cópia de Brecht. O "Apache"? Qual é essa cena, querido? É de qual festa?

Um abraço
Dani

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

CAMPANHA: NOSSO FOCO É O CINEMA

Para um BLOGUEIRO CINÉFILO cinema é arte, talento e magia. Ele lê muito sobre a sétima arte, pesquisa, passa horas diante do computador, coleta imagens raras e principalmente vê filmes, muitos filmes. Movido pela paixão cinematográfica, abre as portas para um novo mundo. O que mais o anima a continuar são os COMENTÁRIOS dos internautas. Tornar-se SEGUIDOR do seu blog é uma grande alegria. Pense nisso e apoie os blogs cinéfilos DEIXANDO COMENTÁRIOS e SEGUINDO-OS. O cinema agradece.

O Falcão Maltês

Danielle Carvalho disse...

Oi, Dani!

Dá tempo ainda de votar em sua enquete?
Caramba, como é difícil escolher entre os filmes de Chaplin. Eu escolheria "Tempos Modernos" pelo papel simbólico dele na minha vida, já que foi meu primeiro Chaplin, visto ainda na escola. Mas o homem era genial; fez uma porção de filmes que não dá pra não classificarmos como perfeitos: "Amor ou luxo" eu também acho ótimo; e "Em busca do ouro", "O Garoto". E "Vida de cachorro", o primeiro filme de fôlego dele?
"City lights" você tem razão ao dizer que é especial. Há nele tanta comédia, mas eu só consigo me lembrar da situação tragicômica do mendigo que tenta ganhar dinheiro para salvar a amada... A premissa é tão melosa - só Chaplin mesmo pra transformar isso em pura arte.
Sua análise do filme está ótima. E detalhada! - eu não lembrava de uma porção de cenas ou implicações, já que o vi pela última vez faz uns anos.

Bjinhos
Dani

Daniele Rodrigues de Moura disse...

Oi, Dani!
Claro! Eu coloquei a enquete aqui para votarem através dos commnets. Assim não tem aquele prazo de votação.

Obrigada pelo elogio!
Realmente é difícil escolher um só filme.
Um abraço
Dani

Corto de Malta disse...

Eu sempre pensava que eles diziam a frase final com significados diferentes.

Ele dizia ''enxergar'' no sentido literal e ela dizia ''enxergar'' no sentido de ver que o amor salvador que ela imaginava não era um homem rico e sim mendigo de quem ela tinha acabado de debochar.

Um dos meus filmes preferidos.

Daniele Rodrigues de Moura disse...

Olá, Corto!
E você pensou certo: este é um dos finais mais bonitos da carreira de Chaplin.
Um abraço
Dani