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quinta-feira, 3 de março de 2011

Gene Tierney e Menninger Clinic

Anteriormente em Tela Prateada nós vimos um breve resumo da tumultuada vida de Gene Tierney(ver post Aqui). Os problemas mentais estiveram em sua vida desde o nascimento de sua filha Daria, a 1ª de duas que ela teria com o estilista Oleg Cassini. Em 1946 Gene estava no topo de sua carreira e seus sucessos de bilheteria incluíam "Laura", "Amar Foi Minha Ruína"(o qual foi indicada ao Oscar de melhor atriz, perdendo para Joan Crawford em "Mildred Pierce") e a aclamada adaptação do romance de Sommerset Maugham "O Fio da Navalha". Em contraponto, sua vida pessoal parecia não corresponder ao seu sucesso artístico: o casamento com Oleg se deteriorava cada vez mais, porém o pior para a atriz era constatar o que já era inegável - o estado de saúde de Daria era irreversível, portanto, não havia nada que ela pudesse fazer. A julgar por este fato, Gene aceitou colocá-la em uma instituição mental.

Gene em THE RAZOR'S EDGE, época em que teve de internar sua filha.


Naquela época, se um ator entregasse um parente a uma clínica para doentes mentais, isso significava ter que deixá-lo para sempre. Toda a luta em vão para curar a filha causou danos psicológicos à Gene, que começou a sofrer alucinações enquanto filmava "The Way of a Gaucho" na Argentina, em 1951. Nas cartas que escrevia à Oleg, a atriz jurava estar sendo vítima de uma conspiração da parte de seus colegas. O casamento de 10 anos estava acabado.
Os dias de Tierney ficariam ainda piores quando, ao sofrer um colapso nervoso durante um programa de tv, foi internada no Harkness Pavilion, em Nova York. Na mesma época em que Vivien Leigh fazia tratamentos psiquiátricos, o meio convencional de tratamento eram os eletro-choques, que pouco ajudaram Gene, exaurindo suas forças e queimando sua memória aos poucos. Sua próxima instituição, The Institute of Living, em Connecticut, fundada em 1822, não ajudou a atriz a sair do buraco em que estava, como ela mesma declarava estar. Mais tratamento de choque se seguiram, deixando Gene perdida em seus próprios pensamentos, ao invés de tentar estabelecer uma cura ou um equilíbrio. Já era difícil para ela atuar, e em "The Left Hand of God"(1955), Humphrey Bogart soprava suas falas e ajudava a conduzir sua personagem. Era o começo do fim.

Em THE WAY OF A GAUCHO, 1951
 Depois de um novo colapso, dessa vez com tentativa de suicídio, Gene Tieney foi internada em sua 3ª clínica e a que faria finalmente enxergar resultados em meio a tanta confusão: The Menninger Clinic, em Topeka, Kansas, foi fundada em 1925, pela família Menninger, que era composta pelos médicos C.F Menninger e seus filhos Karl e Will. Juntos eles uniram as técnicas de Freud à ótima relação entre médico/paciente. Interação constante, onde o interno poderia pensar sobre seus problemas e dividí-los com os médicos, sem a idéia do confinamento. Considerado um dos melhores centros de reabilitação do mundo para diversos tipos de desordens mentais, como o Transtorno Bipolar, Depressão aguda e outros, a área conta com piscina, quadra de tênis, sala de jantar, extensa área arborizada para passeio e diversão, dentre outras comodidades.
The Menninger Clinic foi o primeiro lugar que deu a chance a Gene de ser tratada com o respeito que um paciente precisa.

Menninger Clinic - Entrada
Área arborizada composta de 7 prédios para tratamento em grupo ou individual.

Por dentro do Menninger
Quarto de paciente
Em 1959, Gene retornou ao Instituto Menninger após sofrer pressões psicológicas de seus amigos. Os médicos inovaram mais uma vez, sugerindo a ela que trabalhasse perto do local. E assim a atriz foi vista pelos moradores como vendedora em uma loja de roupas, mas ela concordou inteiramente com esse processo. Visitada na loja pela Imprensa, Gene não hesitou em contar suas experiências traumáticas, um marco na história de Hollywood, já que os atores na época evitavam ao máximo expôr seus problemas à mídia.
É lógico que, como conhecemos a história de Gene, ela saiu da clínica, voltou a atuar mas logo parou, pois o trauma dos choques elétricos das outras instituições haviam causado danos irreversíveis à sua mente. Muito frágil, ela lançou sua auto-biografia em 1979, intitulada "Auto-retrato", mas seus problemas não pararam por aí...eles só cabem em outro post.

Frases:
"Eu tive que desistir de uma filha, que nasceu retardada, e logo depois negligenciei a outra"
"Eu jamais teria ajudado a construir o meu futuro se não soubesse como redescobrir meu passado"
"Entrei na Clínica Menninger esperando, ou sonhando que me dessem alta logo"
"Pergunto a mim mesma: eu estaria pior se tivesse passado a vida inteira dentro de uma casa ou fazenda ao invés de todo o eletro-choque e medicamentos?"

9 comentários:

As Tertúlias... disse...

Pobre Gene, eterna Gene... "haunted" Gene.
Ricardo

Daniele Moura disse...

Como dizia Oleg Cassini: "A garota de sorte mais azarada que ele conheceu".
Um abraço

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Sei da história da musa Gene de cabo a rabo, mas sempre me emociono quando volto a ler algo sobre ela.
abração

www.ofalcaomaltes.blogspot.com

Daniele Moura disse...

Adoro escrever sobre ela. Que mulher forte! Quanta coisa ruim ela enfrentou!

Carla Marinho disse...

Oi Dani, o teu blog está maravilhoso. Beijos
www.cinemaclassico.com

Daniele Moura disse...

Oi, Carla!!! Que bom ter você por aqui!
Seu trabalho é excelente!!

ANTONIO NAHUD JÚNIOR disse...

Dani,o FALCÃO está comemorando cinco meses de vida. Apareça por lá!
Abraço bom,

www.ofalcaomaltes.blogspot.com

Daniele Moura disse...

Que lindo! 5 meses! Já estou lá!
Parabéns!

Um abraço
Dani

Anônimo disse...

Oi, Dani
Que coincidência! Acabo de assistir "O Gaúcho" e encontro sua matéria sobre Gene Tierney. Conheço fãs que acham Gene a maior de todas as belezas da tela. Um abraço do Darci