Olá a todos!
O blog iniciou esta semana uma parceria com o portal de filmes CINEMA TOTAL. Recebi o convite do responsável pelo espaço, o Marcos, que me disse ser um leitor do blog. Iniciamos uma deliciosa e informativa conversa por email. Gostaria de agradecer a você, Marcos, pelo convite e generosidade em colocar o Tela Prateada no seu portal. Não sei como lhe agradecer!
O CINEMA TOTAL é um portal de filmes em cartaz, com tudo o que você precisa saber sobre os melhores lançamentos em cinema. Curtam. Ele está linkado no Tela Prateada, no lado esquerdo do blog.
Eis o link do site: www.cinematotal.com
Um abraço e vamos ao cinema!
Daniele Moura.
Todos os textos contidos neste blog são de propriedade intelectual da autora. Proibida reprodução total ou parcial sem autorização.
sábado, 26 de novembro de 2011
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Suspicion(1941)...em breve!
Próximo artigo do tela Prateada será sobre SUSPICION, um dos maiores clássicos de Alfred Hitchcock, lançado em 1941. Trazem Joan Fontaine e Cary Grant e a famosa cena do leite incandescente e misterioso...
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Um pequeno comentário sobre esta imagem...
Penso que a mais bela história de amor do cinema foi lançada pelos estúdios Disney: A DAMA E O VAGABUNDO, 1955. Uma mesinha com toalhinha quadriculada, uma garrafa de vinho e um prato de macarronada serviam o casal de cachorrinhos, que nos remetem ao Romeu e Julieta de Shakespeare. A velha história do casal que não pode se amar por algum motivo estúpido imposto pela sociedade. No caso deles, o pedigree. Ela, uma cadelinha de raça e ele, um cãozinho vira-lata. Cheios de amor, eles invadem as telas de várias gerações, emocionando com esta cena belíssima do fio de macarrão que pegam juntos, terminando em um beijo. Tanta beleza e sentimento.
Assisti esta semana a esta fofura e fiquei entre a emoção e o encantamento. A maioria das músicas que contam a história deste adorável casal de cachorrinhos foi composta por Peggy Lee e Sonny Burke, bem como a voz de Peggy se encontra em várias músicas no filme - até o tema dos gatos siamenses: "The Siamese cat Song". Além de ser uma das principais contribuidoras musicais desta história, Peggy Lee dá voz à personagem Darling, a dona de Lady - a bela cocker spaniel dourada, de longas orelhas!!
Além de ser um hino ao amor em forma de desenho animado, A DAMA E O VAGABUNDO também celebra a liberdade, principalmente através do personagem Tramp, o cãozinho arteiro, descolado e vagabundo que não vê nenhuma possibilidade de estar um dia com um dono. Para ele, o dono é sinal de aprisionamento dentro de uma casa de humanos e a coleira é o símbolo maior da prisão, o que ele e seus amigos chamam de "crachá".
Para acentuar mais ainda a questão da liberdade, o filme mostra os cachorros várias vezes ameaçados pela carrocinha. Até Lady é presa e acaba por ver a triste realidade dos cães que adoecem ou perdem membros do corpo: a morte. Claro que apesar de emocionar, tudo é mostrado de forma bem leve. Outra cena belíssima é o idílio amoro de Lady e Tramp no parque: a câmera abre e mostra uma visão do verde do lugar e dois casais de apaixonados - um de humanos e o amor dos dois bichinhos, apreciando o luar.
Coisa mais linda, sensível, que tentou e conseguiu aproximar o tipo de relacionamento que tem o homem e o animal. Tramp é o garanhão, que desperta o saudosismo de Peg, uma das cadelinhas presas pela carrocinha. "Que cachorro", ela diz. De uma certa forma entra no tema do "amor verdadeiro, quando encontrado, muda qualquer um".
Feliz dia dos namorados!
Assisti esta semana a esta fofura e fiquei entre a emoção e o encantamento. A maioria das músicas que contam a história deste adorável casal de cachorrinhos foi composta por Peggy Lee e Sonny Burke, bem como a voz de Peggy se encontra em várias músicas no filme - até o tema dos gatos siamenses: "The Siamese cat Song". Além de ser uma das principais contribuidoras musicais desta história, Peggy Lee dá voz à personagem Darling, a dona de Lady - a bela cocker spaniel dourada, de longas orelhas!!
Além de ser um hino ao amor em forma de desenho animado, A DAMA E O VAGABUNDO também celebra a liberdade, principalmente através do personagem Tramp, o cãozinho arteiro, descolado e vagabundo que não vê nenhuma possibilidade de estar um dia com um dono. Para ele, o dono é sinal de aprisionamento dentro de uma casa de humanos e a coleira é o símbolo maior da prisão, o que ele e seus amigos chamam de "crachá".
Para acentuar mais ainda a questão da liberdade, o filme mostra os cachorros várias vezes ameaçados pela carrocinha. Até Lady é presa e acaba por ver a triste realidade dos cães que adoecem ou perdem membros do corpo: a morte. Claro que apesar de emocionar, tudo é mostrado de forma bem leve. Outra cena belíssima é o idílio amoro de Lady e Tramp no parque: a câmera abre e mostra uma visão do verde do lugar e dois casais de apaixonados - um de humanos e o amor dos dois bichinhos, apreciando o luar.
Coisa mais linda, sensível, que tentou e conseguiu aproximar o tipo de relacionamento que tem o homem e o animal. Tramp é o garanhão, que desperta o saudosismo de Peg, uma das cadelinhas presas pela carrocinha. "Que cachorro", ela diz. De uma certa forma entra no tema do "amor verdadeiro, quando encontrado, muda qualquer um".
Feliz dia dos namorados!
Hollywood à vontade...Celeste Holm
Estava procurando por mais material de Judy Garland para postar aqui, quando me deparei com esta agradabilíssima surpresa: a atriz Celeste Holm, na Life Magazine, de 1951, em um momento off-camera, bebendo leite. Como sou apreciadora e colecionadora destas fotos, resolvi postar sem piscar os olhos! Celeste Holm tem 94 anos e ganhou um Oscar por GENTLEMAN'S AGREEMENT. Porém, sua performance mais memorável é a de Karen Richards, a amiga traíra de Margo Channing em ALL ABOUT EVE(1950). Na época desta foto, ela estava colhendo os resultados deste sucesso. Excelente atriz, Celeste veio do teatro e depois de ALL ABOUT EVE, trabalhou em poucos outros filmes de sucesso, como HIGH SOCIETY(1956), em que faz a parceira solitária do personagem de Frank Sinatra.
domingo, 20 de novembro de 2011
Uma orquestra na voz de Judy Garland...Stormy Weather nos bastidores.
A CRIANÇA ENCANTADORA SE RECUSAVA A CHORAR
Judy: Body and soul. Música e lágrimas. Corpo e alma misturando-se em canto e cinema. Um sorriso de menina, bonitinha e gordinha, cantando SINGIN' IN THE RAIN. Retratos de uma adolescente espalhando-se pouco a pouco. Desde o singelo LA FIESTA DE SANTA BARBARA, passando pelo dueto com a lírica Deanna Durbin em EVERY SUNDAY(1937), esta voz que vem sabe-se lá de onde, explode nos ouvidos de premières do mundo inteiro e de repente..."Zing! Went The Strings of My My Heart" e ela se torna parceira de Mickey Rooney, iniciando uma série famosa de musicais, que incluem: BABES IN ARMS(1939), BABES ON BROADWAY(1941) e muitos outros filmes, como a série Andy Hardy. Deanna Durbin não durou muito na MGM. Assinaria logo, logo um contrato que lhe renderia por vários anos uma bela carreira em musicais e alguns dramas pela Universal Studio.
Judy, 16 anos, aproximadamente, tem apetite como a maioria das jovens de sua idade. Ela quer hamburgueres e milk shakes, mas não pode comer, senão engordará ainda mais. Além de tudo, Judy tem que ser uma "boa menina" e tomar suas anfetaminas todos os dias. Ajuda a manter o peso, sabe? Ah, claro! Como uma boa garota precisa dormir cedo, Judy não pode deixar de tomar seus calmantes todas as noites, pois religiosamente às 5 da manhã, como a maioria das estrelas da Metro, tem que estar de pé para filmar. Agora imaginem esta vida para seus filhos. Imaginaram? Judy Garland começou esta louca rotina aos 14 anos, logo assim que L.B Mayer, executivo chefe da MGM a contratou e concluíu que seu peso era um problema para conseguir papéis num futuro próximo. O fato é que a nova contratada era uma menina perfeitamente saudável e em fase de crescimento.
![]() |
| Na infância, em Grand Rapids, Minnesotta, ainda Francis Ethel Gumm |
![]() |
| Mickey e Judy: Os figurinos são da sequência final de STRIKE UP THE BAND(1940) |
Em tempos em que o bullying é discutido cada vez mais, levantemos mais uma vez a questão: se Judy Garland fizesse sucesso hoje, será que sua mãe Ethel teria permitido que tudo isto tivesse acontecido? Até creio que sim. Pode ser que uma denúncia partisse de um não-parente, de dentro do estúdio, já que o tempo não pode mudar certas coisas, infelizmente. E uma delas é o fato de ainda existirem mães ruins em Hollywood. Ethel era uma stage mother em potencial. Primeiro deixe-me explicar o que é uma stage mother. Do Inglês, a tradução livre fica em "mães de palco". Normalmente são mulheres que gostariam muito de ter sido artistas e não foram. Frustradas por terem falhado e sucumbido em seu próprio sonho, elas colocam todas as suas antigas expectativas nos filhos, dizendo a frase clássica: "querida, um dia você será uma estrela. E o mundo inteiro irá amá-la. E você nunca ficará sozinha". O resto é história. Fazem com que crianças de 5 anos acordem às 5 e estejam no estúdio, às 7, 7h30, prontas, devidamente penteadas e vestidas. Por tudo o que há de mais sagrado, qual a criança desta idade que fala para um adulto: "Meu desejo amanhã é estar filmando às 7h30 da manhã"? Sem comentários.
O único diferencial em Judy é que ela adorava o palco. Viveu a experiência ainda bebê, quando seu pai, Frank, dono de um cinema em Grand Rapids, Minnesotta, a colocou para cantar, enquanto sua mãe tocava o piano. Essa era a profissão dos Gumm: os filmes rodavam sob a supervisão de Frank, pai adorado de Judy, e quando chegava a hora dos intervalos, Ethel sentava ao piano e tocava com suas três filhas cantando ao lado. Das três, Judy se destacou quando Ethel as levou para audições na MGM. Só ela ficou. As outras duas voltaram para casa. Frank morreu quando Judy ainda estava caminhando no estúdio, ainda mocinha. Ele sofria dores terríveis no ouvido. Um dia foi internado, já com a dor em estado crônico. Não viu o sucesso da filha, pela qual torcia e amava tanto. Um amor mútuo.
Voltando ao bullying, no passado foi Ethel. Hoje, por exemplo, é Dina Lohan, saindo para beber com a filha Lindsay em night clubs, sabendo que a atriz não pode tocar em uma única gota de álcool. Estou levantando esta questão do bullying, pois é disto que este artigo trata. Durante toda sua história Judy foi humilhada, nos vários estágios de sua vida: primeiro por L.B Mayer, que a chamava de "minha corcundinha" , além das informações citadas acima. Isso tudo na cabeça de uma garota em formação emocional e física tem um peso muito grande e deixou marcas. Judy nunca mais perdoou Mayer. O casamento com David Rose, arranjado por ele e Ethel(sim, a mãe) por circunstâncias que para os dois eram "vergonhosas" despedaçou o coração da jovem, apaixonada na época pelo grande músico Artie Shaw. Um aborto forçado pelo casal Ethel/Mayer deixou a artista traumatizada pelo resto da vida. Para ela, um aborto não era algo humano e ela era muito inexperiente para conviver com tal aberração. Toda estas estórias, principalmente as que envolvem o uso de anfetaminas e calmantes(remédios de tarja preta) ministrados a uma criança de apenas 14 anos. Talvez se isso se repetisse nos dias de hoje, acabaria nos tribunais.
Os dias de doçura nos anos 30. Momentos em que vimos em seu rosto a estampa viva da felicidade. Sua dedicação ao Cinema começara. A amizade com Mickey Rooney era real. Suas imagens juntos eram coloridas, mesmo aquelas que se encontram em preto e branco. Com a década seguinte, toques de realidade sombrios começavam a emoldurar seus dias, embora o público não notasse, através dos filmes e de músicas como estas:
O único diferencial em Judy é que ela adorava o palco. Viveu a experiência ainda bebê, quando seu pai, Frank, dono de um cinema em Grand Rapids, Minnesotta, a colocou para cantar, enquanto sua mãe tocava o piano. Essa era a profissão dos Gumm: os filmes rodavam sob a supervisão de Frank, pai adorado de Judy, e quando chegava a hora dos intervalos, Ethel sentava ao piano e tocava com suas três filhas cantando ao lado. Das três, Judy se destacou quando Ethel as levou para audições na MGM. Só ela ficou. As outras duas voltaram para casa. Frank morreu quando Judy ainda estava caminhando no estúdio, ainda mocinha. Ele sofria dores terríveis no ouvido. Um dia foi internado, já com a dor em estado crônico. Não viu o sucesso da filha, pela qual torcia e amava tanto. Um amor mútuo.
Voltando ao bullying, no passado foi Ethel. Hoje, por exemplo, é Dina Lohan, saindo para beber com a filha Lindsay em night clubs, sabendo que a atriz não pode tocar em uma única gota de álcool. Estou levantando esta questão do bullying, pois é disto que este artigo trata. Durante toda sua história Judy foi humilhada, nos vários estágios de sua vida: primeiro por L.B Mayer, que a chamava de "minha corcundinha" , além das informações citadas acima. Isso tudo na cabeça de uma garota em formação emocional e física tem um peso muito grande e deixou marcas. Judy nunca mais perdoou Mayer. O casamento com David Rose, arranjado por ele e Ethel(sim, a mãe) por circunstâncias que para os dois eram "vergonhosas" despedaçou o coração da jovem, apaixonada na época pelo grande músico Artie Shaw. Um aborto forçado pelo casal Ethel/Mayer deixou a artista traumatizada pelo resto da vida. Para ela, um aborto não era algo humano e ela era muito inexperiente para conviver com tal aberração. Toda estas estórias, principalmente as que envolvem o uso de anfetaminas e calmantes(remédios de tarja preta) ministrados a uma criança de apenas 14 anos. Talvez se isso se repetisse nos dias de hoje, acabaria nos tribunais.
O DOCE PÁSSARO DA JUVENTUDE X A NECESSIDADE DE SER AMADA
Os dias de doçura nos anos 30. Momentos em que vimos em seu rosto a estampa viva da felicidade. Sua dedicação ao Cinema começara. A amizade com Mickey Rooney era real. Suas imagens juntos eram coloridas, mesmo aquelas que se encontram em preto e branco. Com a década seguinte, toques de realidade sombrios começavam a emoldurar seus dias, embora o público não notasse, através dos filmes e de músicas como estas:
"Our Love Affair
Was Meant to be
It's me for you, dear
And you for me
We"ll fuss and quarrel
And tears starts to brew
But after the tears, our love will smile through"
But after the tears, our love will smile through"
("Our Love Affair", do filme Strike Up The Band, 1940)
À medida em que a demanda por Judy foi aumentando, o inevitável aconteceu: estressada, por volta de 1945, a atriz já se tornara dependente química dos remédios prescritos por gente do estúdio quando ainda tinha 14 anos. Os medicamentos a tornavam irritadiça e deprimida, a ponto de proferir insultos aos colegas, além das piadas de mau gosto. Coisas as quais falava descontrolada, quando chegava ao estúdio, já contra a sua vontade. A menina dos anos 30 se fora. Com o tempo, o álcool foi adicionado às pílulas e sua vida se tornou um inferno. Por vezes se trancava no camarim com medo de ver as pessoas e filmar, pois achava-se incapaz. Uma ocasião, durante as filmagens de MEET ME IN SAINT LOUIS(1944), sua companheira de cena, a atriz Mary Astor, entrou para falar com Judy e tentar convencê-la a sair, pois havia uma equipe enorme esperando por ela. Então ela disse: "Mas não posso. Não sei cantar. Além do mais, não sou uma atriz de verdade". Mary achou aquilo tudo ridículo, afinal, era Judy Garland, um talento em potencial. As duas tiveram uma conversa séria e depois de algum tempo, Garland saiu alegre, começando seu dia de trabalho.
Apesar de se tornarem cada vez mais difíceis os dias de trabalho com Judy e a equipe de filmagem, muitos colegas eram generosos, pois sua fragilidade era visível. Apesar de ainda ser incrivelmente jovem para passar por todo aquele sofrimento, que incluía insegurança inesgotável com a aparência, aquilo era real. Tudo fruto dos absurdos que ouviu de Mayer e a cobrança cruel dos remédios pesados que tomava há anos. Figura carismática e engraçada, adorava piadas e fazia amigos com facilidade. A alma alegre e moleca de Judy ainda estava ali. Entre um take e outro, arrancava gargalhadas de colegas e funcionários.
![]() |
| Tempos que foram mudando rápido |
![]() |
| Mais velha...emagrecendo. |
![]() |
| Mais próximo do que o estúdio procurava. |
Mas quem precisa de tanta beleza quando existe tanto talento? O artista se torna belo quando transpira arte. Quando cantava, Judy se tornava a mulher mais bela do mundo. Suave e doce ao lado de seus parceiros no cinema, de repente se tornava a melhor mocicha dos musicais. Seu rosto jovem e cheio de vida enchia as telas, e quando as câmeras davam o close nos momentos em que cantava as mais lindas canções de amor, era apaixonante. Quando dançava junto de Astaire ou Gene Kelly, era a melhor bailarina, pois dançava com vontade. A paixão pela arte e a mesma tão bem executada a tornou singular, pois quem faz arte da forma que ela fez, apoteótica, traz uma luz no semblante difícil de explicar...e a beleza vem daí.
Judy Garland passou por dificuldades em todas as fases de sua carreira. Em sua maior parte, uma crise de identidade que a acompanhou até o fim de sua curta existência. Na fase cinematográfica, que durou até 1952, ano em que foi demitida pelo mesmo estúdio que a drogou, tinha que ser lembrada constantemente pelos colegas de seu talento. De que era alguém especial e única. Na fase dos concertos, depois da demissão até, mais precisamente 1961(data do lendário e histórico show no Carnegie Hall) sentiu, finalmente que todos estavam certos. O estúdio a massacrou tanto, presa nos corredores, camarins, que havia perdido o elo mais precioso: seu contato direto com o público através dos palcos. Que MGM, que nada! "Viva Judy" gritava o povo, não o estúdio e ela viu que sua voz não tinha limites, assim como nenhum artista tem. Caiu na estrada. London Palladium e o Pallace são algumas das casas de shows que lotaram para vê-la. Por que todos a amavam. Ninguém queria saber se estava gorda ou magra. O fervor e carinho incondicional fez ressurgir a estrela que o estúdio não quis mais. Ela agora voltava a ser Frances Gumm, de Grand Rapids, que encantava a um público diretamente, sem passar pelo crivo de um endocrinologista barato. Nesta fase, diria que a música que mais reflete seu estado de espírito é o tema do filme I COULD GO ON SINGING:
"I could go on singing, til the moon turns pink
Anything from Faust to Ink-a-dink-a-dink
Love does funny things, when it hits you this way!
I must keep on singing, like a lark, going strong, Anything from Faust to Ink-a-dink-a-dink
Love does funny things, when it hits you this way!
With my heart on the wings of a song, singing day!"
A TV também a acolheu, e em 1963 a audiência de seus concertos se reuniu nos sofás da sala para assistir ao THE JUDY GARLAND SHOW, pela CBS. Infelizmente o programa só durou até 1964, outro golpe na vida de Judy, que amava fazer o show. Depois do cancelamento do programa, sua vida nunca mais foi a mesma e o público acompanhou seus últimos anos como não sendo dos mais felizes. THE JUDY GARLAND SHOW era espetacular: reunia esquetes com atores de tv e antigos companheiros da Metro, como Mickey Rooney, que fez parte do 1º episódio e Ray Bolger - sensacional bailarino marcado para sempre na História do Cinema como o Espantalho em THE WIZARD OF OZ. Cada episódio tinha seu convidado. O de Rooney, por exemplo, reunia números musicais, histórias antigas da época em que trabalhavam juntos, apresentação de números de comédias. Tudo voltado para o talento de Judy e seu convidado, pois o cenário era sempre simples e apesar de mudar o fundo em algumas ocasiões, jamais cenário tentava aparecer mais do que os artistas. Na abertura, tínhamos um medley com os maiores sucessos da carreira de Garland executado por uma brilhante orquestra regida pelo maestro Mort Lindsey. Eis que surgia a incrível dona de todos os movimentos , com aquela voz, a própria orquestra em sua graganta e abria o show da noite, semanalmente, cantando uma música alegre como esta:
"Keep your funny side up, up
Let your laughter come through, do!
Stand up on your legs
Be like two fried eggs
Keep your sunny side up!"
O vídeo da apresentação da música do show, abaixo:
Em 1969, Judy se foi. 47 anos, sem dinheiro, morando num apartamento barato, após ter saído pela janela de vários hotéis com os filhos por não ter como pagar a conta. Morreu sem a presença dos filhos. Mesmo depois de tantos anos de sua passagem, gerações de admiradores ainda surgem. A resposta é simples: eles descobrem a magia desta artista que enfeitiça. Talento puro em meio a tanta confusão. Uma vida passada entre crises e risos. Entre o humor marcante a carga explosiva. A arte forte e uma mulher frágil e sozinha...tão sozinha. Lembra outra canção: "I'm alone/I'm so all alone/And there's no one else but you/ All alone by the telephone/Wailting for a ring...I'm all alone every evening/All alone feeling blue/ Wondering where you are and how you are/And if you are all alone too". Judy sofreu muito e colheu os frutos do star system que a criou, sendo destruída por ele. Frutos que ela não plantou. Mas também riu demais e nos fez muito feliz. A cada vídeo dela cantando, um novo rosto se enche de felicidade e de uma nova descoberta. O fio do microfone jogado para o ombro, a mão que se descabelava de repente, os braços que se cruzavam no peito, para depois reaparecer uma nova figura : um braço esquerdo ou direito estendido, ora em meia-concha, ora totalmente erguido. 1,51cm de mulher que no palco se transformava em 2 metros de plena magia e encanto.
![]() |
| THE JUDY GARLAND SHOW: 1963-1964(CBS) |
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Quando mulher e artista inspiram juntas: Vivien Leigh
O título deste texto diz muita coisa. Meu pai sempre me ensinou a não mergulhar na vida dos meus ídolos, pois eu me decepcionaria. Este conselho foi me dado há algum tempo. Hoje eu posso dizer que não tenho mais ídolos, pois esta é uma palavra muito forte: idolatrar alguém não é saudável e nem correto, pois todos os seres humanos têm falhas, até os nossos artistas preferidos. A palavra fã ou fan também não faz mais parte do meu dia a dia, pois me lembra fanatismo ou fanático(a). É, meus amigos leitores, isto é, de fato, muito profundo. Houve um dia em que as atrizes, os astros em geral preservavam sua identidade e sua vida privada, pois a sociedade lhes cobrava muito e qualquer deslize não haveria mais filmes ou contratos em lugar nenhum. Hoje vivemos em um mundo onde pseudo-celebridades, como estrelas de reality shows, aspirantes a atrizes ou até as muito famosas, tudo isto em Hollywood, ganham muito mais milhões depois que têm suas vidas divulgadas de maneira incorreta. E muitas vezes, com uma equipe montada para isso. Tudo esquematizado para os papparazzi, tudo pelo escândalo. Me lembra até uma cena de A DOCE VIDA, de Fellini, quando a personagem de Anita Ekberg se distancia dos paparazzis, depois de ter se banhado na Fontana de Trevi. Em seguida, seu homem a encontra e a estapeia. Tudo fotografado por um grupo a 5 cm de distância do casal. Um escândalo, de certo.
Numa época muito distante da nossa, na Inglaterra, vivia uma atriz mundialmente conhecida por ter sido a protagonista de "...GONE WITH THE WIND", Scarlett. Até o ano de 1939 tudo corria como uma linda juventude para Vivien Leigh. Ela lutava para se divorciar de seu primeiro marido, Leigh Hollman, de quem seguiu com o sobrenome que a deixou conhecida, para se casar com o grande amor, aquele que não poderia e nem queria perder de vista: o ator Laurence Olivier. Os dois apaixonados se encontraram várias vezes enquanto ela filmava "...GONE WITH THE WIND" e ele estava a fazer "WUTHERING HEIGHTS". Pela segunda vez a palavra esquematizado entra aqui, mas desta vez para proteger a reputação de um casal que ainda não havia se separado de seus cônjuges. A MGM manteve os olhos em alerta em cima de Vivien, temendo que seu amado entrasse em sua casa alugada, onde ela tinha dois criados alemães, e por fim, arruinasse todo o plano da Southern Belle do romance de Margarett Mitchell. Um pouco mais tarde, ela conseguiu seu divórcio e Olivier, o da atriz Jill Esmond(que mesmo diante de tal situação manteve o carinho que sentia por Vivien) e assim os dois passaram finalmente a viver seu conto de fadas, agora aos olhos de todos. Conto de fadas que o casal deu vida nos palcos, montando Romeu e Julieta, de Shakespeare, primeiro em Nova York, depois passando por algumas outras cidades norte-americanas, como San Francisco. NY não aplaudiu a peça, que já tinha Jack Marivale no elenco, em pleno 1940. Jack se tornaria o companheiro de Vivien depois da separação de Olivier, em 1960, e lhe seria fiel até a morte da atriz, sete anos mais tarde. O casal Olivier, ainda vivendo à espera, juntou cada um seu dinheiro, de ambos os filmes que haviam feito para montar a peça, porém ela saiu logo de cartaz. Metade desacreditando em Larry, a outra em Leigh, e uma outra parte da mídia dizendo que estava tudo super produzido demais e não se via Shakespeare. Apesar de ter a editora deste blog só 28 anos, acho um pouco difícil que um casal de atores tão talentosos não tenham feito justamente o que eles faziam de melhor: representar uma peça clássica.
Estas eram as preocupações maiores de Vivien até o início dos anos 40: se manter junto de Larry, juntar o máximo de dinheiro que eles conseguissem para investir em peças na companhia Old Vic, onde trabalhavam, em Londres. E este dinheiro vinha do Cinema. Os Oliviers odiavam o Cinema. Como autênticos atores de palco, tinham amor ao Teatro e consideravam o Cinema uma arte menor. O fato é que eles, sem que percebessem nem de longe, ajudaram a fazer a sua História. Nascida Vivian Mary Hartley, em 5 de novembro de 1913, em Darjeeling, India, Vivien sempre deu sinais de que queria atuar. Aos 3 anos, num festival de Teatro local, sua mãe, Gertrude, queria que a filha cantasse Little Bo Beep. Ela disse que recitaria. E o fez, para espanto de todos. Aos 7 anos, já na Inglaterra, Gertrude resolveu colocá-la num internato, o Roehamptom. Desta época se seguiram vários anos neste colégio até que dali a jovem Vivian finalmente reencontrasse os pais...Por pouco tempo. Logo eles a madariam para novos internatos, em vários países da Europa, a fim de que seus outros idiomas fossem devidamente treinados. Apesar de gostar das viagens, Vivian sentia absurdamente a presença dos pais, especialmente o carinho do pai e a vontade de voltar à Darjeeling. As requintadas festas no jardim foram ficando para trás. Seus pais viviam em constante lua de mel, esquiando aqui, jogando ali, navegando acolá. A educação refinada da menina parecia ter um preço muito mais alto. Apesar de viver solitária, sem a família, Vivien desenvolveu um caráter que fascinou todas as freiras de Roehamptom. Ela não se revoltava, não fazia mal-criações, nenhuma espécie de grosseria. Muito pelo contrário: conversava com as freiras, fez amizade com elas, e em dentro de pouco tempo era a criança mais popular do colégio. Lá, Vivian conheceu uma colega que não pensava exatamente como ela: Maureen O'Sullivan, que se rebelou, tentou ser enxergada de todas as formas possíveis quando se trata de uma criança. E quando não fazia, vivia sozinha num canto qualquer, triste e desolada. As duas se tornaram amigas, mas Maurren não era um exemplo de educação, e sempre se esquivava dos modos ensinados pelas professoras.
A Desordem Bipolar começou a se manifestar na adolescência , em Roehamptom, mas foi durante os anos 40, quando já estava casada com Olivier, que os estados de humor da atriz passaram a oscilar com frequência maior. Vivien se manteve a figura adorável do internato a encantar Olivier, fascinar os colegas com sua educação , carisma e boas maneiras. Fazia amigos e quando as crises de Bipolaridade colocava os relacionamentos em risco, ela pedia desculpas, segundo eles, das mais sinceras, pois sofria profundamente com tudo aquilo. Lhes mandava flores com um cartão carinhoso. Fazia de tudo para agradar, pois sabia que não era mais a mesma Vivien a quem Olivier conhecera e isso a abalava profundamente. Não queria perder a amizade das pessoas e nem o amor de Larry. Durante os anos que se passaram, sofreu tratamentos severos de eletrochoques, que a deixavam confusa e aérea por muito tempo, mas voltava ao teatro horas depois, e se apresentava, sem errar suas falas ou desenho cênico. Tarquin, o filho de Larry lembra de ter visto várias vezes a madrasta com queimaduras nas têmporas, mas os dois eram amigos , a ponto de o menino lhe contar tudo o que lhe acontecia, como um confidente. Vivien, em meio à tempestade, não perdera sua essência. O diretor Stanley Krammer, de THE SHIP OF FOOLS, recorda do quanto doloroso era dirigí-la, pois ver o sofrimento de Vivien lhe era perturbador. Ela agora tremia da cabeça aos pés, os tratamentos não ajudaram e quando tinha que entrar na sua vez de filmar, tentava controlar a tremedeira ao máximo, pois seu profissionalismo, segundo o diretor, estava em primeiro lugar. Depois que a cena terminava, ela voltava para sua cadeira e começava a tremer de novo, enrolada numa coberta. Tudo isso acompanhou duas Tuberculoses: a segunda, fatal.
Não existe ser humano perfeito, lógico, mas é muito difícil termos um artista no qual possamos nos espelhar, quando este passou por problemas tão graves na vida pessoal. Vivien nos ensinou uma grande lição. Se você tem algum distúrbio e sabe disso, se algum dia atacou quem ama, então peça desculpas. Dar a cara a tapa, com a verdade, nunca foi ruim. Edifica e nos faz sentir melhor. Se tem amigos sinceros, busque no apoio deles a forma melhor de sair do pesadelo e buscar o auto-controle. Se você não tem distúrbio nenhum, mas já atacou alguém importante na sua vida de alguma forma, faça o mesmo: se desculpe. Frágil não é aquele que o faz. Reconhecimento de erros é coisa dos fortes. Os fracos se acovardam e olham a pessoa ferida despedaçada ao lado, sem mover um dedo, e isso Vivien nunca foi.
![]() | |||
| Na época do nascimento de Suzanne, quando estreou em sua primeira peça: "The Green Sash" |
![]() |
| Por volta de 1940, no TWA |
![]() |
| Retrato, início de carreira |
![]() |
| Com Olivier: Romeo and Juliet: audaciosa produção de Shakespeare, em terras americanas. |
![]() |
| Myra, em WATERLOO BRIDGE, mesmo ano. |
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Esquentando os tamborins: Vivien Leigh in living color!
A beleza de Vivian Mary Hartley, mais conhecida como Vivien Leigh, que faria aniversário no próximo dia 5 de novembro. Os 98 anos não seriam impossíveis, porém a vida lhe marcou muito. Mais tarde, um texto será publicado aqui, para contar um pouco da história da passional Vivien. A vida no extremo. No limite da razão, sem limites para nada. A seguir, algumas imagens dela à cores, de acordo como ela mesma via a vida:
![]() |
| As duas fotos, como muitos já devem saber, "...Gone With The Wind"(1939) |
![]() |
| Por volta de 1940. |
![]() |
| Como Karen Stone para divulgação do filme "The Roman Spring of Mrs. Stone"(1961) |
Assinar:
Postagens (Atom)




















