Gene Tierney...o rosto em formato de coração visto de todos os ângulos com poesia. A beleza da atriz, por volta de 1942 já estampava as capas das principais revistas da época. Sua aparência exótica lhe deu oportunidade de ser contratada pela Fox para vários tipos de papéis. De CHINA GIRL à SUNDOWN, passando por THE SHANGAI GESTURE e TOBACCO ROAD, de John Ford, em que vive a garota mal-tratada, suja, cabelos desgrenhados, unhas imundas...beleza singular naquela pobreza gigantesca. Impossível não olhar para este rosto, não ver os filmes e não se encantar. Os homens queriam passar o resto de suas vidas com ela. As mulheres queriam ser como ela. E muitos foram os homens na vida de Gene, enfeitiçados pelo rosto exótico. Uma linda face que escondia pensamentos confusos, acontecimentos trágicos, transformando aos poucos a aura desta fronte da frescura juvenil ao pânico latente e repentino.
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sexta-feira, 28 de outubro de 2011
domingo, 23 de outubro de 2011
Meus bons sonhos: Miss Vivien Leigh
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| Foi mais ou menos assim que Vivien se apresentou no sonho |
Há algum tempo decidi colocar meus sonhos com artistas que me são muito queridos, aqui neste espaço. Escrever sobre nossos sonhos não é nada fácil. É preciso coragem para revelá-los ao público, já que boa parte traz junto muito da nossa personalidade. Os sonhos revelam um pouco de quem somos, detalhes do nosso íntimo e até o subconsciente. Como tenho, sim, coragem para expô-los aqui, me faltou a decisão. E aqui está: lembranças vagas de um encontro em sonho, porém maravilhoso, com minha atriz e personalidade feminina favorita. Aquela cuja paixão pelos palcos e pela vida era tamanha, que me fascinou e me fez transformar também numa atriz - Miss Vivien Leigh.
Era fim de tarde. Eu estava à toa sentada na varanda de minha casa(a do 2º andar). Olhava para frente, cabeça vazia, quando de repente observei que a vizinha ilustre também estava sentada em uma confortável cadeira na varanda de uma casa em frente à minha: era Vivien Leigh. Olhem como são os sonhos: Vivien era minha vizinha! Mas como nestes casos não há anormalidades, olhei-a sentada e achei comum, até porque, naquele momento era como se Lady Olivier já morasse na minha rua há muito tempo. Notei que várias pessoas estranhas, fãs, desejavam falar com ela e batiam à sua porta. Ela atendeu duas delas, muito gentil. E eu observando tudo de longe. Com aquilo tudo acontecendo diante de meus olhos, pensei: "Será que ela me receberia"?
Mesmo a uma pequena distância, sua beleza quase infantil se destacava. O mesmo para a elegância da dama inglesa, que mesmo sentada na varanda, portava imponente realeza. Não sei como, mas no momento seguinte estava diante dela. Não me espantei como no caso de Olivia de Havilland. Ao contrário, me portei naturalmente com Miss Leigh, pois me senti confortável com ela quando me apresentei e disse-lhe que também era atriz e que atuava nos palcos. Ficamos à vontade uma com a outra, pois afinal, éramos colegas de profissão. Tenho 1,54cm de altura. Vivien era quase do meu tamanho, tão pequena e delicada, que acreditei na hora que suas roupas podiam caber em mim!
Ela estava jovem, como no final dos anos 30: camisa de seda por dentro de uma calça de cintura alta, feita de linho. Era como na época em que filmou 21 DAYS TOGETHER, ao lado de seu tão amado Laurence Olivier. Nossa conversa era incomum: só eu falava...e como falava! Ela permaneceu ouvindo o tempo todo. Ouvia com total atenção, sem desviar o olhar um segundo sequer. Mas falava com o olhar. Quando a elogiei, dizendo que era o meu exemplo de atriz e de ser humano, ela sorriu. Estava muito calma, principalmente levando em consideração as coisas que a menina aqui estava a dizer para ela.
Eu desabafei. Disse-a o quanto era extrovertida e parecida com ela quando criança. "Depois dos 12 anos eu passei a ser introvertida e tímida demais..." Os gestos exagerados de minhas mãos imprimiam meu desespero. Minha fala frenética acompanhada ao discurso dramático expressavam meu sofrimento. Falei tanto, que devo ter dito todos os desagravos pelos quais passei. Falei da Depressão e "...queria tanto ser como você, ter sua vivacidade, ser incansável...". Ela me sorriu, mas continuava sem uma palavra. Foi quando de repente, saltou da cadeira como uma garotona e começou a fazer mímica para mim e finalmente falou...coisas ininteligíveis.
A única coisa boa que me lembro é que sua mímica era para eu parar de sofrer e que eu não poderia continuar daquele jeito. Então, veio a mensagem final, totalmente nítida: "Você TEM que melhorar". Quando acordei, me lembrei de ter lido que quando recebia os amigos, até na época em que era casada com o primeiro marido, o advogado Leigh Hollman, gostava de brincar de mímica com eles. Aquela brincadeira em a pessoa tinha que acertar o nome de um filme ou de uma personalidade através da mímica. Era isso. Sei que ficamos um longo tempo naquela varanda. Foi muito tempo. Os mistérios são indesvendáveis mas uma coisa posso dizer: foi um momento mágico e eu acredito que ninguém morre de todo. Esta madrugada(18/10/2011) foi especial.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Horror e suspense em THE INNOCENTS(1961)
Uma casa mal-assombrada. A governanta que chega e descobre os segredos de um passado longínquo. O espectador pensa que a mulher não vai suportar, mas ela é corajosa e não só suporta como também tenta desvendar os mistérios que rondam a casa. Tantos filmes foram feitos com esta temática, do trash ao cinema espetacular, com elencos terríveis ou fabulosos. Roteiros escabrosos versus obras-primas. Todos os lados bons destas comparações acima pertencem ao grande THE INNOCENTS(1961), dirigido por Jack Clayton. Exaure um perfume especial de mestres da literatura universal: o filme foi roteirizado por Truman Capote e William Archibald, baseados na obra THE TURN OF THE SCREW, de Henry James.
O início dos anos 60 trouxe novidades, como é claro, todas as décadas trouxeram para o cinema, porém, a estética sessentista, como por exemplo a tela toda preta na abertura, para termos em seguida Deborah Kerr rezando, faz parte da arte daquela época e a torna um tanto intrigante para um filme de suspense, e por que dizer...o torna também mais interessante? Só no decorrer do filme descobrimos o porquê da Sra.Giddens rezar tanto. Os psicodélicos anos sessenta contrastando com uma atriz veterana, em seu auge de talento artístico e beleza. Deborah: o rosto imaculado em BLACK NARCISSUS e a junção de uma sexualidade latente, praticamente à flor da pele em FROM HERE TO ETERNITY. Agora, em THE INNOCENTS, esta beleza tomaria os ares de um tom senhoril. Os cabelos generosos presos em um coque rebelde. Os vestidos sóbrios da senhora governanta Giddens. Os cabelos quase indomáveis e o guarda roupa impecável dizem muito desta personagem: ela é uma dama recatada, mas há em seu ser a vontade de achar o certo, onde existe o duvidoso. A revolta se instala. O olhar inquieto, desconfiado e confuso. A coragem que venceu o medo, embora possamos ver o medo em seus olhos durante boa parte do filme.
Sim, Deborah Kerr estava pronta para os anos 60, como toda grande atriz, sempre à frente de todos os desafios. Bato na tecla da década ser confrontosa, pois os amantes de cinema sabem que muitos nomes da 7ª Arte se despediram dela e foram para a televisão. Uns foram bem-sucedidos. Outros, não. E assim, THE INNOCENTS se tornou, segundo descrição dela própria, o melhor desempenho de sua carreira. Voltando a outros aspectos preponderantes à produção(também de Jack Clayton), sublime do início ao fim, com um diretor que conseguiu levar uma história de horror às telas, audaciosamente, tal como abordar a questão do espiritismo com seriedade, sem em nenhum momento constranger elenco, público ou a ele mesmo.
O trabalho da governata vivida por Kerr é humanitário e se encontra como um dos temas centrais do filme. Ela está ali para cuidar das crianças e não poupa esforços para fazê-lo, assim que se envolve afetivamente com os pequenos. A Sra.Giddens é o tipo de mulher que transcende seu tempo, recusando-se a colocar vendas nos olhos quando percebe que algo está errado. Ela acredita em tudo, até naquilo que não pode ver ou sentir...até que começa a sentir e ver.. Desde o momento em que se aproxima das crianças, há o feeling. Ela ouve a bonita canção O WILLOW WALY, mas tão magistralmente bem trabalhada na história, que se torna bizarra, na companhia de Flora(Pamela Franklin). Miss Giddens faz do trágico destino das crianças seu próprio trajeto e a cada decisão que toma, se deixa levar pelo redemoinho que é estar envolvida com espíritos. Polêmica é a cena em que o garoto Miles, possuído, a beija direto nos lábios. Não é um celinho. É um beijo colado e longo, perturbador. É claro que é compreensível que tenha-se chegado àquele ponto, por causa do forte teor espiritual do filme. O diretor Jack Clayton ficou preocupado com o resultado, até hoje arrebatador, mesmo depois de exatos 50 anos do lançamento da obra.
Impressionates também são as performances das crianças. Os atores Pamela Franklin e Martin Stephens(Miles), assustadores do início ao fim. Existe uma forte ligação dos personagens do menino Miles com a Esther de Isabelle Fuhrman em ORPHAN(2009). Semelhanças não param por aí, já que THE INNOCENTS foi livre inspiração para THE OTHERS(2001), de Alejandro Amenábar.
Os fantasmas dos antigos serviçais da casa, o mordomo Quint(Peter Wyngarde) e da governanta atormentada Miss Jessel(Clytie Jessop) aparecem pouco, porém o suficiente para dar o clima sobrenatural qua o roteiro pede. Suas cenas de possessão são extremamente perturbadoras e dão uma verdadeira lição do que é o verdadeiro terror: aquele que não precisa de jorros de sangue nas telas a fim de provocar sustos nos amantes do gênero. THE INNOCENTS permanece vivo desde o seu lançamento, com tudo o que um filme precisa para ser bom: direção, roteiro, trilha sonora e equipe técnica competentes. Tiens!!!
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| Deborah Kerr e Martin Stephens |
Trailler do filme em HQ.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Em breve: "Os Inocentes", 1961
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